ONU e OMS alertam a uma só voz: Pandemia pode fazer ‘explodir’ conflitos armados

“Fome, pobreza, desemprego e até mesmo conflitos armados podem “explodir” diante da pandemia se nada for feito”, alertam os responsáveis da ONU e OMS.

Sónia Bexiga

Duas das mais relevantes entidades internacionais vieram, esta sexta-feira, fazer um apelo: são necessários mais de 10 mil milhões de dólares para dar uma resposta humanitária à altura da gravidade da crise causada pela pandemia da covid-19.

“Fome, pobreza, desemprego e até mesmo conflitos armados podem “explodir” diante da pandemia se nada for feito”, alertam os responsáveis da Organização das Nações Unidas (ONU) e Organização Mundial da Saúde (OMS), estimando que 63 países estejam a precisar de um resgate urgente, inclusive o Brasil para ajudar os refugiados venezuelanos no país.

Muito para além de uma questão meramente sanitária, o novo coronavírus é hoje uma ameaça à segurança internacional. “O vírus continuará a ameaça o mundo politicamente e economicamente”, alertou Michael Ryan, diretor de operações da OMS. “É uma questão de segurança global. O mundo precisa acordar para esta realidade. Os conflitos podem piorar e outros podem eclodir”, sublinhou alertando para a situação de vulnerabilidade de mais 2 mil milhões de pessoas.

Cerca de 132 milhões de pessoas podem passar a viver uma situação de fome, somando-se aos já 690 milhões de famintos pelo mundo. “A pandemia está a ensinar-nos que a saúde não é um luxo. Mas sim a fundação da estabilidade económica, social e política”, disse Tedros Ghebreyesus, diretor-geral da OMS.

“As pressões económicas e sociais, juntamente com a queda de serviços, acrescem à fragilidade de situações específicas de alguns países”, disse Lowcock, sublinhando que “o que vemos nos últimos dez anos é uma pressão a acumular-se, abrindo espaço para extremismos e violência”.

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“Os conflitos têm sempre motivos económicos. Mas também sabemos que, uma vez iniciados, são difíceis de parar”, afirmou.

Em março, a ONU fez um apelo global por 2 mil milhões de dólares para dar uma resposta à crise. Em maio, numa revisão do plano de resgate, elevou esse pedido para 6,7 mil milhões. Hoje, porém, o apelo já tem de ser de 10,3 mil milhões de dólares.

 

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