OMS: «Parem de usar o confinamento como principal método de controlo»

Um dos especialistas da OMS para a Covid-19, David Nabarro, pediu aos governos a nível global para não usarem o confinamento como o principal método para controlar a propagação do vírus.

Simone Silva

Um dos especialistas da Organização Mundial de saúde (OMS) para a Covid-19, David Nabarro, pediu aos governos a nível global para não usarem o confinamento como o principal método para controlar a propagação do vírus.

Numa entrevista online à revista britânica The Spectator, o responsável alertou que as restrições têm um efeito negativo na vida dos cidadãos, explicando que os bloqueios «têm apenas uma consequência que nunca deve ser subestimada: tornar os pobres muito mais pobres».

«Só acreditamos que um bloqueio se justifica para ganhar tempo de reorganizar, reagrupar, reequilibrar recursos e proteger os profissionais de saúde que estão exaustos, mas, de forma geral, preferimos não o fazer», afirmou na Nabarro no domingo.

Da mesma forma, o especialista garantiu que é preferível ter planos de rastreamento e hospitalização para o tratamento da doença viral. «E é por isso que apelamos a todos os líderes mundiais: parem de usar o confinamento como principal método de controlo. Desenvolvam sistemas mais fortes. Trabalhem juntos e aprendam uns com os outros», aconselhou.

Nabarro sublinha que «vamos ter de aprender a coexistir com este vírus de uma maneira que não requeira constantes encerramentos das economias e, ao mesmo tempo, que não implique altas taxas de sofrimento e morte».

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«É o que chamamos o caminho do meio. É exequível, mas implica um alto nível de organização por parte dos governos e uma imensa capacidade de compromisso por parte das pessoas, o que se tem demonstrado muito difícil em alguns países», explicou.

Para o especialista este «caminho do meio» consiste em «implementar defesas robustas contra este vírus, para quando voltar a fortalecer-se nalgum local, possamos atacá-lo e acabar com os surtos rapidamente», detalhou na mesma entrevista.

«Para isso», explica, «precisamos de duas coisas: serviços de saúde locais muito bem organizados, com capacidade para fazer testes, controlar os contactos e manter as pessoas em isolamento» e ainda uma união e solidariedade global contra o vírus. «Resulta melhor se estivermos todos juntos neste combate e as pessoas colaborarem», através das medidas básicas de higiene e segurança.

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