Mais canais do que Veneza e menos turistas: estas cidades europeias merecem entrar no roteiro de férias

Veneza introduziu em 2024 uma taxa de entrada para excursionistas nos dias de maior procura, atualmente entre cinco e dez euros, embora existam propostas para aumentar significativamente esse valor

Francisco Laranjeira

Veneza e Amesterdão continuam entre as cidades europeias mais associadas a canais, pontes e passeios junto à água. Mas são também dois dos exemplos mais visíveis dos problemas provocados pelo turismo de massas.

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Veneza introduziu em 2024 uma taxa de entrada para excursionistas nos dias de maior procura, atualmente entre cinco e dez euros, embora existam propostas para aumentar significativamente esse valor. Em Amesterdão, a pressão turística tornou-se de tal forma intensa que residentes chegaram a avançar judicialmente contra a própria cidade.

Para quem procura canais, barcos e bairros históricos sem contribuir para destinos já saturados, a ‘Euronews’ destaca outras cidades europeias que oferecem experiências semelhantes — e algumas têm mesmo mais canais ou mais quilómetros navegáveis do que Veneza.

Hamburgo: mais canais do que Veneza e Amesterdão

Pode não ser a primeira cidade que surge quando se pensa numa escapadinha romântica junto à água, mas Hamburgo possui mais canais do que Veneza e Amesterdão.

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Não é por acaso. A cidade alberga o terceiro maior porto da Europa, depois de Roterdão e Antuérpia, e as suas vias navegáveis tiveram historicamente uma função sobretudo comercial e industrial.

É precisamente essa herança que lhe dá uma identidade diferente. No bairro histórico de Speicherstadt, classificado como Património Mundial da UNESCO, antigos armazéns de tijolo vermelho erguem-se diretamente sobre os canais.

Metade destes edifícios foi destruída durante a Segunda Guerra Mundial, mas a zona continua a ser um dos melhores locais da cidade para passear a pé ou de barco.

Estocolmo: uma cidade construída entre pontes

A capital sueca assenta sobre 14 ilhas e é atravessada por canais e braços de água ligados por mais de 50 pontes.

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A relação da cidade com a água é tão antiga que a zona histórica chegou a ser conhecida como Staden Mellan Broarna — “a cidade entre as pontes”.

Um dos percursos mais tranquilos é o canal de Djurgårdsbrunnskanalen, que se estende por cerca de cinco quilómetros entre a ilha de Djurgården e o continente.

Ladeado por árvores e afastado de parte da agitação turística do centro, tornou-se também um dos passeios pedonais mais populares entre os habitantes de Estocolmo.

Birmingham: mais de 160 quilómetros de canais navegáveis

Outra surpresa está no Reino Unido. Birmingham possui mais quilómetros de canais do que Veneza, resultado de uma rede criada durante a Revolução Industrial para transportar matérias-primas e mercadorias.

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Atualmente, mais de 160 quilómetros continuam navegáveis.

A imagem industrial deu entretanto lugar a uma utilização muito mais descontraída. Na zona de Gas Street Basin, antigos canais são hoje ladeados por bares, restaurantes e cafés, enquanto outros percursos seguem por zonas verdes até à Universidade de Birmingham.

É uma versão menos monumental e mais urbana da experiência dos canais — e muito distante das multidões que ocupam diariamente as pontes de Veneza.

Copenhaga: casas coloridas e barcos em Nyhavn

Copenhaga oferece uma experiência mais próxima da imagem clássica associada aos canais europeus.

Nyhavn, o conhecido bairro ribeirinho do século XVII, tornou-se um dos cenários mais reconhecíveis da capital dinamarquesa, com casas coloridas alinhadas junto à água e antigos barcos de madeira atracados ao longo do cais.

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Hoje é uma das zonas mais agradáveis para caminhar ou iniciar um passeio de barco, embora tenha tido uma história bastante diferente.

Durante séculos, Nyhavn foi um bairro portuário frequentado por marinheiros, bares e casas de prostituição. Hans Christian Andersen viveu na zona no século XIX e, a partir dos anos 1980, a transformação em área pedonal ajudou a convertê-la num dos espaços mais visitados da cidade.

Os canais europeus não acabam em Veneza

Nenhuma destas cidades pretende substituir Veneza ou Amesterdão. Mas mostram que a experiência de caminhar ao longo de canais, atravessar pontes ou descobrir uma cidade a partir da água não está limitada aos dois destinos mais conhecidos.

Hamburgo oferece uma paisagem industrial única, Estocolmo mistura canais e natureza, Birmingham transformou a sua herança industrial em espaço de lazer e Copenhaga mantém um dos bairros ribeirinhos mais fotogénicos do continente.

Para quem procura fugir das multidões sem abdicar dos canais, talvez o melhor roteiro europeu seja precisamente aquele que começa longe de Veneza e Amesterdão.

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