Movimentos antivacinas com mais influência do que cientistas, diz estudo

Uma equipa de investigadores norte-americanos concluiu que os movimentos antivacinas tem mais poder de persuasão do que os cientistas junto de grupos de pessoas que não têm uma opinião firme sobre um determinado assunto.

Revista de Imprensa

Uma equipa de investigadores norte-americanos concluiu que os movimentos antivacinas tem mais poder de persuasão do que os cientistas junto de grupos de pessoas que não têm uma opinião firme sobre um determinado assunto, confirmou ao “Público” Neil Johnson, do Departamento de Física da Universidade George Washington, nos Estados Unidos.

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O mesmo estudo, segundo o jornal, dá conta de que os grupos de cidadãos indecisos (pais, por exemplo) não estarão passivamente a observar nos bastidores o que circula nas redes sociais, mas, em vez disso, estão a procurar informação junto dos grupos antivacinas.

Assim, na «competição online», e especificamente no universo do Facebook, são os supostamente mais desorganizados grupos antivacinas que melhor se posicionam para convencer as pessoas indecisas, escreve o “Público”.

Daí, resume Neil Johnson ao jornal, daí partem para uma descredibilização de empresas, governo e cientistas e depois entram no campo das vacinas. «Eles citam e combinam secções de trabalhos científicos, analisam incertezas nos resultados científicos. Fazem-no de uma forma inteligente e persuasiva.»

Depois, constata o especialista, existem as teorias da conspiração, que colocam os grandes, quer sejam empresas farmacêuticas ou empresários como Bill Gates, contra os mais pequenos. Nestes grupos também se aproveita o processo de desacreditação da ciência e dos cientistas para falar de muitos outros temas e para negar, por exemplo, as alterações climáticas, diz ao jornal.

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«É importante dizer que estas pessoas não são más pessoas. Podem ser o seu vizinho, o seu tio, etc. Eles estão apenas a juntar fragmentos muito confusos que ouviram de uma determinada forma e depois descobrem uma comunidade com uma narrativa que parece fazer sentido para eles. Uma narrativa que os atrai», sublinha, contudo, Neil Johnson.

«A oposição à vacinação perante, por exemplo, uma futura vacina contra o SARS- CoV-2, o agente causador da Covid-19, pode agravar surtos da doença, como aconteceu com o sarampo em 2019», avisam os autores dos estudo, alertando que «remédios caseiros e informações falsas estão a ser partilhadas na Internet, tal como se constata a falta dos conselhos de especialistas».

Ao “Público”, o investigador da Universidade de Washington disse que «o perigo é que se não forem vacinados os verdes [grupos de indecisos] suficientes, então poderemos ter de ficar com a Covid-19 entre nós durante muito tempo após uma vacina».

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