Modern Meadow: criar couro num laboratório

Como a Modern Meadow usa bioprodução para criar um material semelhante a couro chamado Zoa.

Por Elizabeth Segran, colaboradora da Fast Company

Suzanne Lee era designer de moda no início dos anos 90 quando descobriu que os processos de produção biológica conseguiam materiais semelhantes a couro através da fermentação de levedura. E passou os 10 anos seguintes a fazer experiências com grandes cubas de bactérias, aconselhando ao mesmo tempo as marcas de vestuário. Recentemente, como Chief Creative Officer da startup de biotecnologia Modern Meadow, ajudou a liderar o desenvolvimento de um material semelhante a couro e amigo dos animais chamado Zoa e está agora a colaborar com a empresa de fermentação industrial Evonik para aumentar a escala do processo de bioprodução.

«À medida que o mundo se torna mais próspero, as pessoas querem mais produtos de carne e couro, mas a pressão no planeta é insustentável. Aqui, criamos e editamos ADN, colocamo-lo em células de levedura e depois usamos um processo de fermentação para criar escala. Conseguimos preparar um colagénio de proteína como se prepara cerveja, e usar esse processo em tudo o que possa usar material de couro, como moda, interiores e automóveis», informa.

Muitos consumidores preocupam-se com a ideia de saber a origem do couro. É quase impossível. Com a Modern Meadow, monitoriza-se todo o processo, até à célula criada para produzir o couro.

Paola Antonelli, curadora de designer do MoMA, está interessada na biologia sintética e no que isso significa para o futuro dos produtos: «À medida que pensávamos na exposição Fashion Modern, concluímos que isto era uma oportunidade para criarmos algo inesperado de couro, como uma t-shirt branca. Como usamos couro líquido, podemos torná-lo incrivelmente fino, mas forte, e combiná-lo com outros tecidos. A t-shirt era apelativa por ser clássica mas intemporal. É também a peça de vestuário dos revolucionários, porque as pessoas usam a t-shirt como forma de revelar slogans. A exposição no MoMA foi praticamente um cartaz.

Este artigo foi publicado na edição de Outubro de 2018 da Executive Digest.

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