O secretário-geral da ONU condenou hoje a escalada da tensão entre EUA e Irão e insistiu que o seu plano para facilitar a passagem de fertilizantes através do estreito de Ormuz, bloqueado por Teerão, continua “em cima da mesa”.
A declaração em nome de António Guterres foi feita pelo seu porta-voz, Stéphane Dujarric, na conferência de imprensa diária, depois de a República Islâmica ter afirmado, embora Washington o tenha negado mais tarde, que atacou dois navios norte-americanos, oito petroleiros e cerca de dez embarcações no estreito de Ormuz.
Reivindicou ainda um ataque contra uma base norte-americana na Jordânia, em resposta aos ataques norte-americanos contra cinco petroleiros iranianos no Golfo Pérsico.
“O secretário-geral está profundamente preocupado com as notícias sobre novas escaladas de tensão no Estreito de Ormuz e arredores nos últimos dias, incluindo ataques a navios mercantes e ameaças de novas ações contra a infraestrutura marítima e energética”, frisou Dujarric.
O porta-voz instou ambas as partes a “restabelecer e respeitar plenamente” os direitos e a liberdade de navegação através do Estreito de Ormuz.
Além de ser fundamental para o transporte de 20% do petróleo mundial, a rota é também utilizada para o escoamento de grandes volumes de gás natural liquefeito e fertilizantes, entre outros produtos.
Perante o bloqueio imposto pelo Irão, em represália pelos ataques dos EUA, e as sanções de Washington aos portos iranianos, o secretário-geral convocou um grupo de trabalho para facilitar a passagem de navios com fertilizantes por Ormuz, visando combater a subida dos preços do cabaz alimentar.
Questionado sobre o estado desta estratégia, Dujarric afirmou que continua “em cima da mesa”.
“Como já dissemos, o plano é claro. Poderia ser útil. A questão é se todas as partes envolvidas neste conflito estão dispostas a permitir que ele avance. No entanto, as consultas continuam de forma ativa”, sublinhou.
O porta-voz do diplomata português colocou a ONU à disposição de qualquer esforço diplomático “credível” que vise uma desescalada e para uma solução abrangente e duradoura.
“Convocamos todas as partes envolvidas a agir com a máxima moderação e a absterem-se de ações e declarações que possam agravar ainda mais uma situação já de si instável”, reiterou.












