Dois grandes grupos de manchas solares surgiram na superfície do Sol, sugerindo a possibilidade do aumento de auroras boreais e explosões solares potencialmente prejudiciais nos próximos meses – algumas das manchas são tão gigantescas que poderiam engolir a Terra inteira. Conhecidas como “regiões ativas” 2993 e 2994 (AR2993 e AR2994), os novos grupos de manchas solares podem ser seguidos por um terceiro grupo de manchas – ainda escondido atrás do membro nordeste do sol (ou borda aparente), que parece ter causado uma poderosa erupção.
Cada grupo consiste em várias manchas solares e cobre uma área de centenas de milhões de quilómetros quadrados – muito maior do que o diâmetro da Terra -, causadas por ruturas magnéticas da fotosfera visível do Sol, que expõe as camadas relativamente mais frias por baixo.
Os picos magnéticos do Sol acontecem em ciclos de 11 anos, com cada ciclo solar a registar fases de baixa e alta atividade. Os ciclos de atividade solar são numerados desde 1775, quando começou o extenso registo da atividade das manchas solares. Estamos atualmente no Ciclo Solar 25, que ainda não atingiu o seu pico, sugerindo que há mais atividade de manchas solares ainda por vir. “Tenho a certeza de que veremos [regiões ativas] maiores nos próximos anos”, explicou o físico solar Dean Pesnell, do ‘Goddard Space Flight Center’ da NASA ao ‘Live Science’. “As regiões ativas 2993 e 2994 são de tamanho médio e não representam o melhor que o Ciclo Solar 25 pode produzir.” Segundo os cálculos do cientista, o ciclo atual deve atingir a sua atividade máxima no final de 2024 ou início de 2025.
A energia das regiões ativas pode ser libertada como radiação (explosões solares) ou ejeções de massa coronal (CMEs), que são bolas de plasma superquentes. Essas explosões solares e CMEs podem criar belas auroras – mas também podem representar um perigo para redes elétricas, satélites, redes de comunicação e até para viajantes espaciais além da proteção do campo magnético da Terra.
“Esta situação é típica nesta fase do ciclo solar”, frisou Jan Janssens, especialista em comunicações do Centro de Excelência Solar-Terrestre em Bruxelas. “À medida que o ciclo solar se dirige para o seu máximo, regiões de manchas solares cada vez mais complexas tornam-se visíveis, e podem produzir erupções solares.”
Os cientistas dividem as explosões solares em cinco classes, cada uma 10 vezes mais poderosa do que a anterior – A, B, C, M e X, de acordo com a NASA. Cada categoria tem nove divisões.
O Centro de Previsão do Clima Espacial da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) informou que um pulso de raios-X da explosão X1, no passado domingo, causou um forte apagão nas frequências de rádio abaixo de 30 MHz no Sudeste Asiático e na Austrália. Mas também determinou que a CME do material estelar da última erupção solar não vai atingir a Terra.
Quando as CMEs impactam a Terra, no entanto, podem ter efeitos graves – sobrecarregando as redes de energia ou comunicações de rádio, por exemplo, ou até mesmo prejudicando os astronautas no espaço. Podem também danificar diretamente a eletrónica dos satélites e aquecer os gases da atmosfera superior para causar maior arrasto nos satélites em órbitas baixas.
Até agora, o mundo moderno parece ter evitado os piores efeitos das tempestades solares, e as operadoras de redes elétricas estão agora a melhorar os seus equipamentos contra possíveis interrupções. Mas não é preciso recuar muito no tempo: as “tempestades do Dia das Bruxas” de 2003, foram responsáveis pelo corte de eletricidade em partes da Europa e na África do Sul por várias horas.









