A saúde mental pode ser a próxima ameaça que temos pela frente. Em Itália, 80% admitiu precisar de apoio psicológico para lidar com a angústia provocada pela pandemia de Covid-19.
A conclusão é de um inquérito realizado pela Ordem dos Psicológicos italianos (CNOP, na sigla original), citado pelo “The Guardian”, que recorda: «No dia 6 de Maio, dois dias após Itália ter começado a aliviar as restrições, o proprietário de uma pequena empresa na periferia de Nápoles foi encontrado morto no seu escritório. Outros quatro proprietários de pequenas empresas tentaram suicidar-se durante a primeira semana do mês».
Citado pelo “The Guardian”, o presidente do CNOP, David Lazzari, afirmou que é necessário «estabelecer um sistema através do qual as pessoas possam ter acesso a apoio [psicológico]». A última vez que Itália tinha registado um aumento significativo de suicídios foi em 2007. Nos anos anteriores, a taxa havia caído.
«Em dois meses, os suicídios são ligeiramente superiores à média», disse Armando Piccinni, presidente da BRF Onlus. O psiquiatra ressalva, contudo, que não se sabe se «estas pessoas já estavam deprimidas ou a receber tratamento». «O mais alarmante é que alguns dos casos estavam claramente relacionados com a pandemia», lamentou, sublinhando que «há centenas de pessoas que vivem num estado de terror ou depressão».
Maria Santa Lorenzini, psicóloga em Roma, apontou para a perda de rendimentos. «Muitos ainda não receberam a ajuda financeira que lhes foi prometida», sublinhou.
A própria Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou, na semana passada, para o risco do aumento de transtornos mentais, devido ao «imenso sofrimento de centenas de milhões de pessoas». Para aquele organismo, esta questão «não está a ter a atenção necessária».
Entre os mais expostos estão «o pessoal de saúde, por causa da ansiedade e do stress que estão a viver, crianças e adolescentes, mulheres em risco de violência doméstica, idosos, devido ao risco de serem infectados, e pessoas com condições mentais preexistentes ou com outras doenças, para quem é mais difícil continuar a receber tratamento», referiu a OMS.













