“Sempre dissemos que a partir do momento em que saíssemos do confinamento teríamos de enfrentar a possibilidade de o risco de contágio aumentar”, afirmou António Costa, no final da reunião desta sexta-feira com o autarca de Loures, Bernardino Soares, no âmbito de um conjunto de reuniões com os concelhos que verificam os mais recentes surtos da pandemia.
Em Loures, avançou, regista-se uma quebra “significativa” e uma “dispersão maior” dos novos casos, o que não se verificava em junho.
“É prematuro aligeirar uma alteração do estado de classificação neste concelho e nos restantes. Apesar da redução significativa do números de casos ativos faremos na próxima segunda-feira uma avaliação global”.
Com esta nova metodologia, de um trabalho focado e de grande proximidade das equipas no terreno, reforçou, “permitiu-nos estabilizar os novos casos nos pontos mais complicados e até reduzir o número de novos casos”.
Segundo o primeiro-ministro, desde o desconfinamento “a situação no resto do país é tranquila”, apesar dos focos detetados nas 19 freguesias da Grande Lisboa.
Acrescentando ainda que todas as situações que foram acontecendo desde o desconfinamento, como as festas, foram rapidamente controladas, num acompanhamento que se estendeu ainda a outras “situações preocupantes, como é o caso dos lares”, onde não se traduz num contágio generalizado para as populações onde se inserem, acrescentou.
Nesta conferência, António Costa foi ainda confrontado com a questão das listas vermelhas de alguns países que excluem Portugal na sua reabertura de fronteiras.
É “injusto incluir Portugal em listas vermelhas. Quem vir essas classificações parece que estamos numa situação de risco muito elevado”, disse Costa, realçando que a Bélgica reviu a sua posição inicial depois de ter “compreendido a diferença da situação do país no conjunto a especifica em algumas localidades”.
Para Costa, a Europa tem de ter em conta que a testagem em cada país é diferente e que “há países que só testam situações sintomáticas, há outros que testam assintomáticos. Há outros que só testam casos suspeitos, outros grupos específicos. Tudo isto gera discrepâncias”.
Costa afirmou ainda que por vezes “há retaliação” entre países na definição das listas de países e das restrições. “É preciso muito bom senso e haver diálogo sério das instituições europeias que tem corrido melhor na capacidade de resposta ao problema económico do que às questões das fronteiras”, concluiu.













