A presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola, salientou hoje que a instituição tem “expectativas muito elevadas” sobre a legislação e prioridades hoje anunciadas pelo executivo comunitário, para responder aos “muitos desafios” da União Europeia (UE).
“Temos expectativas muito elevadas em termos de legislação, mas também de prioridades políticas, numa altura em que a Europa enfrenta muitos desafios”, declarou Roberta Metsola, reagindo ao discurso sobre o Estado da União da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.
“Foi também especial porque tivemos connosco, no hemiciclo, o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, enquanto nos preparamos para que amanhã [quinta-feira] se dirija aos deputados do Parlamento Europeu em sessão plenária”, acrescentou a líder da assembleia europeia, em declarações à margem do plenário, na cidade francesa de Estrasburgo.
De acordo com Roberta Metsola, o discurso sobre o Estado da União “abordou todos os pontos essenciais”.
“Ficámos muito satisfeitos por vê-la [Ursula von der Leyen] falar sobre competitividade, segurança, clima e acessibilidade económica. Naturalmente, há sempre aspetos que poderíamos discutir”, assinalou.
Apontando que “foram mencionadas cerca de 16” ações, Roberta Metsola destacou a regulação do acesso das crianças às redes sociais, bem como “as plataformas que serão criadas para permitir identificar novas iniciativas e alcançar uma maior unidade em diferentes áreas, quer no que diz respeito à acessibilidade económica, quer ao futuro da Europa ou aos direitos fundamentais”.
Ainda assim, a presidente do Parlamento Europeu admitiu que “teria gostado de ver um pouco mais de atenção à forma como se vai concluir o Mercado Único, a União dos Mercados de Capitais e a União Bancária”.
“Ela [Ursula von der Leyen] mencionou o Médio Oriente, mas talvez […] tivesse desejado uma maior atenção ao facto de que mais de 90 milhões de iranianos no Irão continuam a sofrer às mãos de um regime autocrático e repressivo”, adiantou Roberta Metsola.
No discurso sobre o Estado da União, proferido hoje em Estrasburgo, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, defendeu o reforço da autonomia e competitividade da UE, através da aceleração do mercado único, redução da burocracia, descida dos preços da energia e investimento em energias limpas e redes elétricas.
Von der Leyen anunciou uma nova reserva para garantir o aprovisionamento de matérias-primas críticas e constituir reservas face à dependência da China, e defendeu o reequilíbrio das relações comerciais com Pequim, bem como o reforço do financiamento da economia e das empresas europeias e das capacidades próprias em inteligência artificial.
Na área climática, propôs novas medidas de adaptação e uma frota europeia de combate aos incêndios, enquanto, na migração, defendeu um novo mecanismo comunitário de resposta a emergências, o reforço das fronteiras externas e da Frontex.
Sobre o alargamento, sublinhou que o respeito pelos valores europeus é “inegociável” para os países candidatos.
No plano social, anunciou uma cimeira sobre os direitos sociais.
A presidente da Comissão Europeia prometeu ainda reforçar o apoio à Ucrânia, incluindo a ajuda humanitária no inverno, o desenvolvimento de um sistema antimíssil com Kiev e as sanções contra a Rússia, e defendeu um mecanismo europeu de resposta a ameaças híbridas, inspirado na NATO.
Na área digital, anunciou a intenção de propor a proibição do acesso das crianças com menos de 13 anos às redes sociais e de contas pessoais para menores de 15 anos, enquanto nas relações externas propôs que o Canadá se torne o primeiro membro associado da UE.
Von der Leyen anunciou, ainda, um novo Congresso da Europa, em 2027, para assinalar os 70 anos do Tratado de Roma e debater o futuro do projeto europeu.














