Nove dias depois de o juiz Carlos Alexandre ter decretado o arresto de todos os bens de Isabel dos Santos, em Portugal, a empresária angolana veio avisar que o congelamento iria impedi-la de pagar salários e impostos. E é isso mesmo que está a acontecer, avança o Expresso na edição deste sábado.
Segundo o jornal, a Santoro e a Fidequity, empresas com sede na Avenida da Liberdade em Lisboa e geridas pelo seu braço direito, Mário Leite da Silva, deixaram de pagar salários e têm as rendas em atraso.
Isabel dos Santos, ao Expresso, responsabiliza a Justiça pelo incumprimento.“Pedimos à Justiça o desbloqueio para pagamentos de salários, rendas e impostos e continuamos a aguardar”, diz fonte oficial da empresária.
Questionada pelo Expresso sobre o pedido de levantamento parcial do arresto das contas de Isabel dos Santos e das suas empresas para o pagamento de salários e impostos, nomeadamente o IVA, a resposta da Procuradoria da República (PGR) é vaga. “A suscetibilidade de efetuar pagamentos de natureza dos referidos, designadamente salários e dívidas fiscais, é avaliada quando solicitada, no âmbito dos procedimentos à ordem dos quais as contas se encontram congeladas.”
O Ministério Público não confirma, no entanto, que o pedido já tenha sido feito.
Recorde-se que, em Janeiro, Isabel dos Santos foi constituída arguida, em Angola, na sequência das revelações do «Luanda Leaks», que detalhou vários esquemas financeiros da empresária e do marido, que terão permitido retirar dinheiro do erário público angolano, utilizando paraísos fiscais. As autoridades pretendem recuperar mais de mil milhões de euros.













