O painel consultivo da Alemanha recomenda que a vacina Pfizer-BioNTech contra a Covid-19 para crianças de seis meses a quatro anos só deve ser administrada aos que apresentem risco de doença grave devido à infeção.
O chefe do painel composto por 18 pessoas, conhecido como STIKO, defende que não há dados que suportem uma ampla inoculação, justificando com a falta de evidências de que a vacina não produzirá efeitos secundários raros e causará doenças graves em crianças saudáveis.
Esta recomendação abrange, para além da vacina da Pfizer, também uma versão da Spikevax de Moderna (MRNA.O) para a mesma faixa etária contudo, essa vacina não está de momento disponível na Alemanha, segundo os peritos.
“Tudo o que é feito em medicina deve ter uma indicação tão clara quanto possível”, explicou o presidente da STIKO, Thomas Mertens, de acordo com a Reuters. A STIKO, que é seguida por médicos na Alemanha, acrescentou que a vacinação não tem como objetivo impedir a transmissão do vírus das crianças para outras pessoas vulneráveis da sua família e amigos.
Os reguladores europeus autorizaram em outubro esta versão da vacina produzida pela Pfizer-BioNTech para crianças de seis meses a quatro anos administrada em três doses. Como tal, os pais poderiam optar por vacinar os mais novos após consultar o pediatra.
“Quando há pais que querem absolutamente a vacina para os seus filhos saudáveis, não há razão legal para os médicos lhes negarem isso”, comentou Terhardt da STIKO.
A STIKO reafirmou também uma recomendação que emitiu em maio para crianças de cinco a 11 anos frisando que uma vacina contra a Covid-19 era suficiente para jovens saudáveis nessa faixa etária porque a maioria tinha já estado infetado com o coronavírus, o que contrasta com a aprovação dos reguladores da União Europeia para uma administração de duas doses nesse grupo etário.
Apenas cerca de 22% das crianças de cinco a 11 anos na Alemanha receberam até agora pelo menos uma vacina contra o coronavírus, número que os peritos preferiam que fosse mais alto. “Gostaríamos que esses números fossem melhores”, disse Martin Terhardt, membro da STIKO.
O Instituto Robert Koch, organismo federal alemão de doenças infeciosas, revelou em julho planos para que a STIKO fosse alargada de forma a incluir mais especialistas na sequência da controvérsia sobre a rapidez das recomendações que o painel deu durante o surto da Covid-19.













