Chega e Bloco de Esquerda avançam com projetos de lei para proibir casamento antes dos 18 anos

O Parlamento discute esta sexta-feira três propostas de lei que visam impedir que menores de 18 anos possam casar. Atualmente, a legislação permite o casamento a partir dos 16 anos, desde que haja autorização parental. As iniciativas foram apresentadas pelo Bloco de Esquerda (BE), pelo Chega e pelo Partido Pessoas-Animais-Natureza (PAN), cada um com abordagens diferentes para combater o casamento infantil e precoce.

Revista de Imprensa

A idade mínima para o casamento em Portugal poderá sofrer alterações. O Parlamento discute esta sexta-feira três propostas de lei que visam impedir que menores de 18 anos possam casar. Atualmente, a legislação permite o casamento a partir dos 16 anos, desde que haja autorização parental. As iniciativas foram apresentadas pelo Bloco de Esquerda (BE), pelo Chega e pelo Partido Pessoas-Animais-Natureza (PAN), cada um com abordagens diferentes para combater o casamento infantil e precoce.

Entre as três propostas em debate, as do Bloco de Esquerda e do Chega são as mais diretas, propondo uma alteração ao Código Civil e ao Código de Registo Civil para proibir completamente o casamento antes dos 18 anos. O BE justifica a medida como uma forma de garantir “maior proteção aos direitos das crianças e dos jovens”, enquanto o Chega apresenta um projeto com um título semelhante: “Eleva para os 18 anos a idade mínima para contrair casamento”.

Já a proposta do PAN segue um caminho diferente. Em vez de proibir diretamente o casamento infantil, sugere que este seja considerado uma situação de perigo no âmbito das Comissões de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ). O partido pretende alterar a Lei de Proteção de Crianças e Jovens em Perigo, aumentando os mecanismos de intervenção das autoridades para prevenir casamentos forçados e precoces.

Inês Sousa Real, deputada e porta-voz do PAN, explicou ao Diário de Notícias (DN) que, segundo os dados disponíveis, a maioria dos casamentos infantis ocorre antes dos 16 anos e nem sequer é formalizada. “As iniciativas do PAN, apesar de não alterarem a idade do casamento, optam antes pelo reforço dos mecanismos de proteção das crianças, como a maior possibilidade de ação pelas CPCJ, mecanismos de simplificação de queixa, apoio especializado e sensibilização das comunidades”, afirmou.

A deputada reforçou ainda que o casamento infantil é um “flagelo que continua a ter números excessivos no nosso país” e que ainda há muito trabalho a fazer para proteger os direitos das crianças, em especial das meninas vítimas de casamentos forçados e precoces. Sousa Real recorda que propostas anteriores para proibir totalmente o casamento de menores receberam pareceres críticos e precisam de ser repensadas. Destacou ainda que as iniciativas do PAN estão alinhadas com as recomendações internacionais, incluindo as do Livro Branco sobre Prevenção e Combate a Casamentos Infantis, Precoces e Forçados, publicado pela Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género (CIG).

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Além disso, o PAN propõe que o Governo adote medidas preventivas, promovendo campanhas de sensibilização e reforçando o combate ao casamento infantil.

O Bloco de Esquerda, por sua vez, insiste que a única forma de combater este fenómeno é proibir completamente o casamento de menores. A deputada Joana Mortágua sublinha que esta medida faz parte de um conjunto mais vasto de reformas para garantir a proteção dos jovens até aos 18 anos.

“A proibição do casamento antes da maioridade legal é uma forma de proteger as raparigas, que são as principais vítimas destas situações. Todos os dados estatísticos mostram isso. Quando há casamentos entre menores e adultos, geralmente a rapariga é a mais nova”, afirmou ao DN.

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Apesar de não ter incluído uma proposta específica para campanhas de sensibilização, Mortágua considera que estas são necessárias, especialmente em contexto escolar, para consciencializar as comunidades sobre os riscos e as implicações do casamento precoce.

O Chega, que também apresentou um projeto para aumentar a idade mínima para os 18 anos, não respondeu ao pedido de comentário do DN.

Os dados mais recentes revelam que, entre 2015 e 2023, Portugal registou 836 casos de casamentos infantis, precoces ou forçados. As estatísticas constam do Livro Branco sobre Prevenção e Combate a Casamentos Infantis, Precoces e Forçados, publicado pela Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género.

Desses 836 casos, 261 foram identificados como casamentos precoces e 82 como casamentos forçados. O relatório revela ainda que 126 dos casamentos envolveram crianças entre os 10 e os 14 anos, sendo mais de 90% das vítimas meninas. Já 346 casos referem-se a menores entre os 15 e os 16 anos.

Lisboa foi o distrito com mais casos registados, seguido de Castelo Branco e Beja. O documento confirma que as raparigas são as principais vítimas deste fenómeno, uma tendência que se mantém ao longo dos anos.

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Os três projetos deverão baixar à primeira comissão parlamentar para discussão detalhada antes de uma eventual votação final. O debate promete ser intenso, com posições divergentes sobre a melhor forma de combater o casamento infantil.

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