O Brasil restringiu a divulgação de dados sobre o impacto do novo coronavírus no país, o terceiro no mundo com mais mortes acumuladas. Após dois dias seguidos a registar recordes no número de mortes, o presidente Jair Bolsonaro confirmou a mudança na metodologia de divulgação sobre vítimas da Covid-19, engrossando as críticas de que o governo pretende manipular os dados.
Num comunicado colocado por Bolsonaro nas redes sociais, o Ministério da Saúde afirma que o formato usado desde o início da pandemia não oferece uma representação do “momento do país”, uma posição que contrasta com a da maioria dos especialistas.
1- O @minsaude adequou a divulgação dos dados sobre casos e mortes relacionados ao Covid-19.
Ao longo do enfrentamento da doença, a coleta de informações evoluiu com capacitação e serviços laboratoriais. As medidas, assim, permitem obter dados mais precisos sobre cada região.
— Jair M. Bolsonaro (@jairbolsonaro) June 6, 2020
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Este anúncio provocou fortes críticas. Os deputados alertam para o risco de manipulação dos números e preparam ações no Supremo Tribunal Federal (STF) para garantir transparência sobre a realidade da pandemia.
O novo modelo já começou a ser usado no boletim da noite de ontem, quando foi divulgado que o país registou 1.005 óbitos nas últimas 24 horas. O boletim do Ministério da Saúde não informou o total de mortes, nem o total de casos confirmados da Covid-19 desde o início da pandemia.
O Executivo também deixou de divulgar o total de casos em investigação para a doença, que até quinta-feira (4) era de 4.159. O portal do Ministério da Saúde com as informações consolidadas também foi retirado da Internet.
As mudanças acontecem depois de o país ter registado recordes de mortes durante dois dias seguidos. Na quarta-feira, foram 1.349 óbitos, e no dia seguinte, 1.473, atingindo a marca de mais de um morto por minuto devido ao novo coronavírus.
Na nota divulgada através das redes sociais, Bolsonaro afirma que “a divulgação dos dados de 24 horas permite acompanhar a realidade do país neste momento e definir estratégias adequadas para o atendimento a população.”
“A curva de casos mostra as situações como as cenários mais críticos, as reversões de quadros e a necessidade para preparação”, acrescenta, criticando de seguida o anterior modelo de divulgação.
“Ao acumular dados, além de não indicar que a maior parcela já não está com a doença, não retratam o momento do país. Outras ações estão em curso para melhorar a notificação dos casos e confirmação diagnóstica”, concluiu.
O Ministério também anunciou a divulgação dos dados durante a noite, após as 22h, quando já terminou a transmissão dos telejornais. Mas Bolsonaro justifica a atitude com o risco de “subnotificação”.
“Com a divulgação entre 17h e 19h, havia risco de subnotificação. Os fluxos estão a ser padronizados e adequados para melhor precisão“, justificou.
O Brasil totaliza 35.026 mortes pela covid-19, dos quais 1.005 foram registadas sexta-feira, quarto dia consecutivo em que se ultrapassou a barreira dos mil óbitos diários, informou o Ministério da Saúde.
Em relação ao número de casos confirmados, o Brasil contabilizou 30.830 infetados nas últimas 24 horas, num total de 645.771 pessoas diagnosticadas com a covid-19 desde o início da pandemia.











