O mundo está prestes a enfrentar uma crise alimentar, a menos que a guerra na Ucrânia seja interrompida, porque os preços dos fertilizantes estão a subir tão rapidamente que muitos agricultores já não podem comprar nutrientes para o solo.
O alerta foi dado esta segunda-feira pelo bilionário russo dos fertilizantes e carvão Andrei Melnichenko. “Os eventos na Ucrânia são realmente trágicos. Precisamos urgentemente de paz”, disse Melnichenko, em declarações citadas pela ‘Reuters’.
“Uma das vítimas desta crise será a agricultura e a alimentação”, sublinhou o responsável, que fundou a EuroChem, uma das maiores produtoras de fertilizantes da Rússia.
O presidente russo, Vladimir Putin alertou na quinta-feira que os preços dos alimentos aumentariam globalmente devido à subida dos preços dos fertilizantes, se o Ocidente criasse problemas para a exportação de fertilizantes da Rússia – que responde por 13% da produção mundial.
A Rússia é um grande produtor de fertilizantes que contêm potássio, fosfato e nitrogénio – os principais nutrientes das culturas e do solo. A EuroChem, que produz nitrogénio, fosfatos e potássio, é uma das cinco maiores empresas de fertilizantes do mundo.
A guerra “levou ao aumento dos preços dos fertilizantes que já não são acessíveis aos agricultores”, disse Melnichenko, adiantado que as cadeias de fornecimento de alimentos já interrompidas pelo COVID-19, enfrentam agora ainda mais dificuldades.
“Agora, esta situação levará a uma inflação ainda mais elevada na Europa e provavelmente à escassez de alimentos nos países mais pobres do mundo”, alertou.
De recordar que a União Europeia (UE) sancionou na quarta-feira Melnichenko pela invasão da Rússia, considerando que a sua participação numa reunião do Kremlin com Putin e 36 empresários organizados pela União Russa de Industriais e Empresários mostrou que ele era “um dos principais empresários envolvidos em setores económicos”.
No entanto, o seu porta-voz contentou estas acusações, reiterando que o responsável “não tem relação com os trágicos acontecimentos na Ucrânia. Ele não tem filiação política”.
“Traçar um paralelo entre participar numa reunião através da participação num conselho empresarial, assim como dezenas de empresários da Rússia e da Europa fizeram no passado, e minar ou ameaçar um país é absurdo e sem sentido”, disse o porta-voz, acrescentando Melnichenko vai contestar as sanções.
A 9 de março, Melnichenko renunciou ao cargo de membro do conselho e diretor não executivo da EuroChem e da SUEK, e retirou-se como beneficiário, disse o porta-voz. A EuroChem possui ativos de produção na Rússia, Lituânia, Bélgica, Brasil e Cazaquistão.














