A inteligência artificial já mudou a forma como a EDP trabalha

Há dois anos, a inteligência artificial ainda era sobretudo um território de experimentação. Hoje, já faz parte do dia a dia da EDP.

Executive Digest

Há dois anos, a inteligência artificial ainda era sobretudo um território de experimentação. Hoje, já faz parte do dia a dia da EDP. A empresa tem mais de 10 mil agentes de IA criados internamente e está a levar a tecnologia para os processos que estão no centro da operação.

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«A forma como a EDP já opera já não tem nada a ver com aquilo que operava há dois anos.» Em declarações à Executive Digest, Nelson Pinho, Global Head of Digital & AI da EDP, resume a evolução da inteligência artificial dentro do grupo e ajuda também a perceber o propósito da terceira edição do AI Summit.

O encontro, dirigido aos colaboradores da EDP, não nasceu como um evento isolado. Faz parte da estratégia de IA do grupo e tem servido para mostrar como essa estratégia está a evoluir. Por um lado, trazendo conhecimento e tecnologia de parceiros como Google, Microsoft, Databricks, AWS e SAP. Por outro, dando visibilidade ao que as próprias equipas da EDP já estão a desenvolver.

Mas há uma terceira dimensão: aproximar uma comunidade que cresceu muito nos últimos anos.

Quando a EDP iniciou esta jornada, a comunidade de IA era mais pequena e estava sobretudo ligada a áreas como data mining e machine learning. Hoje, envolve pessoas do negócio, das áreas digitais e de dados, service designers e outras funções. A inteligência artificial deixou, portanto, de ser um assunto confinado a especialistas.

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O crescimento dessa comunidade tem uma consequência prática: permite que o conhecimento circule dentro da organização. Se uma equipa já encontrou uma solução para determinado problema, outra não precisa de começar do zero.

É essa lógica que está por trás do marketplace de casos de uso apresentado no AI Summit. A ideia é tornar visíveis as soluções existentes e facilitar o contacto entre equipas que possam ter problemas semelhantes.

«Em vez de estar a reinventar a roda», explica Nelson Pinho, uma equipa pode descobrir quem já fez determinado use case, perceber como o desenvolveu e avaliar se a solução pode ser aplicada noutro contexto.

A preocupação com a reutilização não é apenas uma questão de eficiência. Está ligada à própria forma como a EDP encara a adoção da IA. «Nós não queremos fazer coisas a mais, queremos fazer as coisas necessárias e que criem valor para o grupo», afirma.

Isso significa escolher onde investir, procurar aplicações que possam ser escaladas e aproveitar aquilo que já foi desenvolvido. Ou, nas palavras de Nelson Pinho, «polinizar» o que já foi feito dentro da organização.

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Quando a IA chega à operação

A primeira grande vaga de adoção aconteceu ao nível da produtividade individual e das equipas. Os dados de telemetria da Microsoft citados por Nelson Pinho apontam para uma média de sete interações diárias por colaborador da EDP. E há outro número que ilustra a rapidez com que a tecnologia está a ser apropriada internamente: 10 620 agentes de IA tinham sido criados até à semana anterior à entrevista.

Mas estes números são apenas uma parte da história.

«Isto é só da parte da produtividade pessoal e de equipas», explica o responsável. O passo seguinte, e aquele que pode ter maior impacto na transformação da empresa, está nos processos core.

É aí que a IA começa a interferir diretamente na forma como a EDP opera os seus negócios e os seus ativos.

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Um exemplo está no trabalho das equipas no terreno. Perante um problema num ativo, um operador pode hoje tirar uma fotografia e recorrer à IA para identificar o erro e encontrar, num manual técnico, a informação necessária para o resolver.

Mas a tecnologia pode ir mais longe. Em vez de consultar apenas o manual, o operador pode cruzar essa informação com o histórico de ordens de trabalho daquele equipamento. A IA consegue, assim, ajudar a perceber o que aconteceu anteriormente e apresentar informação que apoie a decisão sobre o que fazer a seguir.

Pode tratar-se de um problema que permite uma correção rápida ou de uma situação que exige uma intervenção mais estrutural e um plano de manutenção preventiva.

A diferença está precisamente na capacidade de juntar informação que antes estava dispersa. E isso ganha particular relevância numa empresa que trabalha com ativos que podem ter décadas de existência e cuja documentação técnica é, muitas vezes, igualmente antiga.

A IA recomenda. A pessoa decide.

É neste ponto que Nelson Pinho faz questão de estabelecer uma fronteira.

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A inteligência artificial pode identificar padrões, procurar informação, comparar situações anteriores e sugerir caminhos. Mas não substitui o operador na decisão.

«Não é o algoritmo que diz o que é que eles vão fazer», sublinha. «O algoritmo diz o que é que correu bem, o que é que correu menos bem, onde é que está a informação para ele tomar a decisão. Mas ele é que toma a decisão.»

A distinção é relevante porque marca a passagem da IA como ferramenta de produtividade para a IA como elemento integrado na operação. Quanto mais a tecnologia entra nos processos críticos de uma organização, mais importante se torna perceber não apenas o que consegue fazer, mas também como é utilizada pelas pessoas.

Na EDP, essa transição já está em curso. O desafio deixou de ser apenas experimentar a inteligência artificial e passou a ser encontrar as aplicações que fazem sentido, fazê-las chegar às equipas e reutilizá-las à escala do grupo.

É também por isso que o AI Summit é, para Nelson Pinho, mais do que um encontro para apresentar novidades. É um ponto de encontro de uma comunidade que cresceu e que, através da partilha de experiências e soluções, pode acelerar uma transformação que já deixou de ser apenas tecnológica.

A inteligência artificial já está dentro da EDP. A questão, agora, é até onde pode levar a forma como a empresa trabalha.

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