“Disparei contra Brian Thompson e ele morreu”. Luigi Mangione declara-se culpado do homicídio do CEO da UnitedHealthcare: o que pode mudar no caso

Mangione deverá comparecer perante o Tribunal Distrital do Sul de Nova Iorque às 11 horas locais, 16 horas em Portugal continental

Francisco Laranjeira

Luigi Mangione declarou-se esta sexta-feira culpado no processo federal pela morte de Brian Thompson, CEO da UnitedHealthcare, e admitiu perante o tribunal ter viajado deliberadamente para Nova Iorque com a intenção de o matar. A confissão representa uma viragem num dos casos criminais mais mediáticos dos últimos anos nos Estados Unidos.

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“Viajei para Nova Iorque com a intenção de atirar em Brian Thompson”, afirmou Mangione perante a juíza federal Margaret Garnett, segundo a ‘Reuters’. “Disparei contra o Sr. Thompson em Manhattan e ele morreu.”

Mangione, de 28 anos, declarou-se culpado das duas acusações federais de perseguição que resultou em morte. A juíza aceitou o acordo e marcou a leitura da sentença para 18 de dezembro.

A admissão significa que Mangione assume agora formalmente a responsabilidade pelo homicídio de Thompson, morto a tiro em dezembro de 2024, em Manhattan, quando se dirigia para uma conferência de investidores da UnitedHealthcare.

Viúva de Brian Thompson chorou durante a confissão

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Mangione leu perante o tribunal uma declaração preparada na qual descreveu parte do planeamento do crime. Explicou que, depois de saber que a UnitedHealthcare realizaria uma conferência de investidores em Nova Iorque, fez pesquisas na Internet e utilizou uma impressora 3D para fabricar parte da arma.

Foi durante a descrição do momento em que disparou contra Thompson que a viúva da vítima, Paulette Thompson, se emocionou na sala de audiências. Segundo a ‘Reuters’, começou a chorar e foi confortada por duas mulheres que estavam sentadas ao seu lado.

A família do antigo CEO classificou posteriormente a confissão como “um passo importante em direção à justiça”.

“Embora nada possa aliviar a dor de o termos perdido, estamos gratos por o sistema de justiça federal ter responsabilizado a pessoa responsável por este ato hediondo”, afirmou a família, acrescentando esperar agora que a pena “reflita a gravidade deste crime”.

Defesa tenta agora travar julgamento por homicídio em Nova Iorque

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A confissão resolve o processo federal sem necessidade do julgamento que estava previsto para janeiro de 2027, mas não encerra os problemas judiciais de Mangione.

À saída do tribunal, a advogada Karen Friedman Agnifilo anunciou que a defesa apresentou um pedido para que sejam retiradas as acusações estaduais de homicídio em Nova Iorque, precisamente devido à declaração de culpa no processo federal.

“Com a declaração de culpa de hoje, o Sr. Mangione assumiu total responsabilidade pela morte”, afirmou a advogada.

A estratégia deverá passar por argumentar que Mangione não pode voltar a ser julgado pelo mesmo homicídio depois de ter assumido a culpa no processo federal. A defesa já vinha sustentando que a existência de dois processos relacionados com a mesma morte violava os direitos do arguido.

Mangione enfrenta ainda procedimentos judiciais na Pensilvânia, relacionados com a sua detenção dias depois do homicídio.

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Um homicídio que desencadeou um debate nacional

Brian Thompson, de 50 anos, foi morto a tiro na manhã de 4 de dezembro de 2024, junto a um hotel em Manhattan. Mangione foi detido cinco dias depois num restaurante McDonald’s na Pensilvânia, após uma intensa operação policial.

O caso ganhou rapidamente uma dimensão muito superior à de uma investigação criminal. A morte do executivo desencadeou nos Estados Unidos uma discussão sobre o funcionamento das seguradoras privadas de saúde e sobre a revolta de alguns americanos perante recusas de cobertura e custos dos cuidados médicos.

Mangione chegou mesmo a conquistar apoiantes, alguns dos quais compareceram às audiências judiciais, apesar de ser acusado de um homicídio premeditado.

A sua advogada voltou esta sexta-feira a relacionar o crime com a experiência pessoal do jovem. Segundo Karen Friedman Agnifilo, Mangione sofreu durante anos de dores “graves e debilitantes” depois de ter partido as costas e acreditava que os sistemas de saúde e de seguros de saúde lhe tinham “falhado e destruído a vida”.

Sentença será conhecida em dezembro

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A confissão desta sexta-feira elimina agora uma das principais incógnitas que acompanhava o caso. Mangione já não nega, no processo federal, ter sido o homem que matou Brian Thompson: admitiu em tribunal que planeou a deslocação a Nova Iorque, preparou uma arma e disparou contra o executivo.

A próxima etapa será a sentença, marcada para 18 de dezembro.

Para a família de Thompson, porém, o processo ainda não terminou. “Continuamos conscientes de que ainda haverá procedimentos adicionais em Nova Iorque e na Pensilvânia”, afirmou a família. “Continuaremos a procurar a justiça que Brian merece.”

[texto atualizado às 17h16]

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