Um homem do Minnesota foi acusado de se fazer passar por agente do FBI numa tentativa de libertar Luigi Mangione, suspeito de ter assassinado o presidente executivo de uma grande seguradora de saúde americana. A alegada tentativa ocorreu no Centro de Detenção Metropolitano, em Brooklyn, segundo documentos judiciais citados pelo ‘El Mundo’.
Luigi Mangione, de 27 anos, aguarda julgamento por um caso de homicídio potencialmente punível com a pena de morte. O jovem é acusado de ter morto a tiro Brian Thompson, CEO do grupo UnitedHealth, em Manhattan, em 2024. Embora o crime tenha sido amplamente condenado pelas autoridades, Mangione tornou-se uma figura de referência para alguns sectores da sociedade americana que protestam contra os elevados custos dos cuidados de saúde e as práticas das seguradoras.
Tentativa de libertação com identidade falsa
De acordo com a acusação, os procuradores federais de Brooklyn imputaram a Mark Anderson, de 36 anos, residente em Mankato, no Minnesota, o crime de se ter apresentado na prisão como agente do FBI. Anderson terá afirmado aos funcionários que transportava documentos assinados por um juiz, supostamente autorizando a libertação de um detido.
A acusação não identifica oficialmente o recluso visado, mas uma fonte policial, citada pelo ‘El Mundo’, confirmou que se tratava de Luigi Mangione. Segundo a mesma fonte, Anderson encontrava-se a trabalhar numa pizzaria depois de se ter deslocado para Nova Iorque.
Quando lhe foi pedida identificação, Anderson apresentou a carta de condução do Minnesota e declarou estar armado. Os guardas da prisão detiveram-no de imediato e procederam a uma revista, durante a qual encontraram na mochila um garfo de churrasco e a lâmina circular de um cortador de pizza.
Documentos atirados e acusações contra a Justiça
Ainda segundo a acusação, Anderson atirou documentos na direção dos guardas, documentos esses que aparentavam conter alegações não especificadas contra o Departamento de Justiça dos EUA.
Luigi Mangione tinha sido detido em dezembro de 2024, em Altoona, no estado da Pensilvânia, após uma operação de busca que durou cinco dias. As autoridades afirmam que, na altura da detenção, foi encontrada na sua mochila uma arma impressa em 3D, um silenciador e um bilhete crítico do sistema de saúde americano.
Um caso que mobiliza apoiantes
As audiências preliminares de Mangione têm atraído numerosos apoiantes, com manifestações à porta do tribunal contra as práticas do setor dos seguros de saúde. O julgamento está marcado para setembro, no tribunal federal de Manhattan, onde enfrenta acusações de homicídio com arma de fogo, posse ilegal de arma e assédio.
Os advogados de defesa solicitaram ao juiz a rejeição da acusação, alegando deficiências legais, ou, em alternativa, que seja afastada a possibilidade de aplicação da pena de morte em caso de condenação.
Paralelamente, Mangione declarou-se inocente num processo separado num tribunal estadual de Manhattan, que envolve acusações de homicídio, porte ilegal de arma e falsificação. Ainda não foi marcada data para esse julgamento.












