De um camião de catering a um bunker: os cinco lugares mais insólitos onde Trump já teve de se esconder

Donald Trump passou grande parte da vida a procurar estar no centro das atenções. Mas, em diferentes momentos, a sua segurança teve precisamente a missão contrária: fazê-lo desaparecer

Francisco Laranjeira

Donald Trump passou grande parte da vida a procurar estar no centro das atenções. Mas, em diferentes momentos, a sua segurança teve precisamente a missão contrária: fazê-lo desaparecer.

Escolha a Executive Digest como fonte preferida no Google Escolher ›

A situação mais recente aconteceu em julho e parece saída de um filme. O presidente dos Estados Unidos entrou no Air Force One diante das câmaras na Turquia, levando jornalistas e até membros da própria comitiva a acreditar que viajaria naquele avião. Na realidade, saiu secretamente da aeronave, foi transportado através do aeroporto num camião de catering e embarcou noutro avião militar.

O motivo era sério: uma ameaça credível de assassinato por parte do Irão, segundo o ‘Washington Post’, citado pelo ‘Newsweek’.

O episódio levou a revista americana a recuperar cinco ocasiões em que Trump acabou escondido, retirado à pressa ou obrigado a utilizar percursos e veículos pouco habituais. Entre eles estão um bunker debaixo da Casa Branca, um carrinho de golfe blindado e até a entrada traseira de um hotel.

E nem todas as situações envolveram ameaças à vida. Uma delas aconteceu simplesmente porque Trump queria jantar um bife.

Continue a ler após a publicidade
Continue a ler após a publicidade

1. Um camião de catering para enganar quem o procurava

Tudo aconteceu a 8 de julho, quando Trump regressava de uma cimeira da NATO em Ancara, na Turquia.

O presidente dos EUA tinha viajado para o encontro num Boeing 747 recentemente renovado e oferecido pelo Qatar. Antes da partida, anunciou que utilizaria o habitual 747 presidencial azul-claro na primeira parte da viagem de regresso, até ao Reino Unido.

Trump chegou mesmo a entrar nesse avião à frente das câmaras.

Naturalmente, os jornalistas que acompanhavam a comitiva presidencial assumiram que, quando o Air Force One levantasse voo, Trump estaria lá dentro.

Continue a ler após a publicidade

Não estava.

Segundo o ‘Washington Post’, depois de embarcar Trump voltou secretamente a sair do 747. Foi colocado num camião utilizado para transportar refeições no aeroporto e levado até um Air Force C-32A, uma aeronave militar bastante mais pequena.

Trump seguiu nesse avião para o Reino Unido, enquanto o enorme e facilmente reconhecível 747 presidencial partiu como chamariz.

A operação foi suficientemente convincente para enganar não apenas os jornalistas que viajavam no Air Force One, mas também alguns funcionários da Casa Branca.

Os repórteres a bordo receberam instruções para manter as persianas das janelas fechadas durante a viagem.

Continue a ler após a publicidade

Só mais de um mês depois perceberam o que realmente tinha acontecido.

A razão para todo aquele aparato, segundo as informações citadas pelo ‘Newsweek’, era uma ameaça iraniana considerada credível contra a vida de Trump.

Antes de abandonar Ancara, o próprio presidente tinha reconhecido o risco, afirmando que era o “número um” na lista de alvos do Irão.

Quando mais tarde lhe perguntaram por que razão os jornalistas tinham sido obrigados a viajar com as janelas tapadas, Trump respondeu que provavelmente tinham estado num “voo perigoso”. “Mas se eu for, vocês vão. Certo?”, acrescentou.

2. Saltar um muro para entrar num hotel

Dez anos antes, Trump teve de desaparecer por uma razão bastante diferente.

Continue a ler após a publicidade

A 29 de abril de 2016, centenas de manifestantes concentraram-se junto ao Hyatt Regency, perto do Aeroporto Internacional de São Francisco, onde o então candidato presidencial iria discursar numa convenção republicana.

A multidão bloqueou a rota prevista para a chegada da comitiva. A solução foi entrar pelas traseiras.

A caravana presidencial saiu da autoestrada e Trump teve de passar por cima de um muro baixo atrás do hotel, num momento filmado do ar por um helicóptero da ‘CBS News’.

Já no palco, Trump reconheceu o caráter pouco habitual da chegada. “Não foi a entrada mais fácil que alguma vez fiz”, comentou. Depois acrescentou que tinha parecido estar a “atravessar a fronteira”.

3. O bunker debaixo da Casa Branca

Em maio de 2020, o esconderijo foi bastante mais convencional para um presidente.

Continue a ler após a publicidade

Manifestações desencadeadas pela morte de George Floyd chegaram às imediações da Casa Branca, com centenas de pessoas concentradas no exterior.

A 29 de maio, agentes dos Serviços Secretos levaram Trump para o bunker subterrâneo de emergência do complexo presidencial, onde permaneceu durante quase uma hora, segundo a ‘Associated Press’.

A polémica chegou depois.

Críticos começaram a chamar-lhe “Bunker Boy”, algo particularmente incómodo para um presidente que cultivava uma imagem política de força.

Trump sustentou posteriormente que tinha descido ao bunker apenas durante pouco tempo e essencialmente para fazer uma “inspeção”.

O então procurador-geral Bill Barr apresentou uma explicação diferente: a situação no exterior tinha-se deteriorado ao ponto de os Serviços Secretos recomendarem que Trump fosse levado para o espaço protegido.

4. Um carrinho de golfe blindado

Continue a ler após a publicidade

A 15 de setembro de 2024, Trump estava a jogar golfe no Trump International Golf Club, em West Palm Beach, quando um agente dos Serviços Secretos detetou o cano de uma arma a atravessar a vedação coberta por vegetação.

Trump encontrava-se no quinto buraco, a preparar uma tentativa de birdie, acompanhado por Steve Witkoff.

O agente disparou na direção do homem armado e a equipa de segurança reagiu imediatamente.

Os agentes protegeram Trump com os próprios corpos até chegar um carrinho de golfe reforçado com aço e outras proteções.

Trump foi retirado rapidamente para o clubhouse e, posteriormente, levado para Mar-a-Lago.

O próprio viria a lamentar uma consequência muito específica da retirada de emergência: gostaria de ter terminado o último putt.

5. Esconder-se dos jornalistas… para comer um bife

A quinta história não envolveu ameaças iranianas, armas, manifestações violentas ou uma tentativa de assassinato.

Continue a ler após a publicidade

Envolveu um jantar.

Uma semana depois de vencer as eleições presidenciais de 2016, Trump ainda se estava a adaptar a uma das particularidades de ser presidente eleito: um pequeno grupo de jornalistas deveria saber permanentemente onde se encontrava.

Na noite de 15 de novembro, a porta-voz Hope Hicks informou os repórteres de que Trump tinha regressado à Trump Tower e não eram esperadas mais movimentações.

Depois Trump saiu para jantar.

Ele e a família foram ao 21 Club, em Manhattan, sem o grupo de jornalistas que deveria acompanhar os movimentos do presidente eleito.

Quando os repórteres descobriram, começou uma perseguição improvisada. Alguns entraram num táxi e acabaram no restaurante errado.

Quando finalmente localizaram Trump, a polícia já tinha bloqueado a entrada.

O detalhe mais apropriado talvez fosse o próprio restaurante escolhido: o 21 Club, encerrado em 2020, tinha sido um speakeasy durante a Lei Seca, precisamente um estabelecimento cuja reputação fora construída, em parte, por permitir que clientes ricos comessem e bebessem longe dos olhares das autoridades.

De um bunker a um camião de refeições

As circunstâncias destes cinco episódios são muito diferentes.

Algumas envolveram ameaças reais e potencialmente fatais. Noutras, Trump tentava evitar manifestantes ou escapar à atenção dos jornalistas.

Mas a imagem que as une é invulgar para uma das pessoas mais reconhecíveis do mundo: uma equipa de segurança a tentar encontrar uma maneira de fazer Donald Trump desaparecer.

E, entre bunkers presidenciais e veículos blindados, o episódio mais recente talvez tenha produzido a solução mais inesperada de todas.

Trump entrou num dos aviões mais reconhecíveis do planeta à frente das câmaras. Depois saiu sem que quase ninguém percebesse, atravessou o aeroporto escondido num veículo destinado a transportar refeições e deixou o Air Force One partir sem ele.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.