NOVA Medical School lidera criação de novo mestrado europeu em inteligência artificial aplicada à medicina

A NOVA Medical School vai coordenar a criação de um novo mestrado europeu em inteligência artificial aplicada à medicina, depois de a Comissão Europeia ter selecionado o projeto português para receber um financiamento de 60 mil euros.

André Manuel Mendes

A NOVA Medical School vai coordenar a criação de um novo mestrado europeu em inteligência artificial aplicada à medicina, depois de a Comissão Europeia ter selecionado o projeto português para receber um financiamento de 60 mil euros. O programa, desenvolvido em parceria com universidades de Espanha e dos Países Baixos, poderá ter a primeira edição no ano letivo de 2028/2029.

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O projeto AI-MEDPRO – Towards an AI-aided MEdical Diagnosis and PROgnosis Master foi aprovado no âmbito do Erasmus Mundus Design Measures, tendo obtido uma avaliação de 87 pontos em 100. A iniciativa junta a NOVA Medical School à Universidade Pompeu Fabra, em Espanha, e à Universidade de Maastricht, nos Países Baixos, além de parceiros clínicos, científicos e empresariais.

O financiamento europeu permitirá à NOVA Medical School desenvolver, ao longo de 15 meses, a estrutura académica e organizativa do futuro mestrado internacional, que terá dois anos de duração e 120 ECTS.

O objetivo é formar profissionais de saúde capazes de desenvolver, avaliar e implementar sistemas de inteligência artificial em contexto clínico, abrangendo áreas como diagnóstico, prognóstico e apoio à decisão médica.

“A inteligência artificial tem um enorme potencial para melhorar o diagnóstico, antecipar a evolução das doenças e apoiar as decisões dos profissionais de saúde. Mas a capacidade tecnológica não é suficiente. Precisamos de profissionais que compreendam simultaneamente os modelos de inteligência artificial, a realidade clínica, os requisitos regulamentares e as implicações éticas da sua utilização. É precisamente essa lacuna que queremos ajudar a preencher com este mestrado”, afirma Jorge Mendes, professor da NOVA Medical School e coordenador do AI-MEDPRO.

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O programa deverá combinar formação avançada em inteligência artificial e ciência de dados com conhecimentos médicos e clínicos. Estão ainda previstos conteúdos relacionados com avaliação de tecnologias de saúde, implementação de soluções em contexto real, ética, regulamentação e governação.

A formação será desenvolvida tendo em conta o enquadramento europeu para a inteligência artificial e os dados de saúde, nomeadamente o AI Act e o Espaço Europeu de Dados de Saúde.

“Não pretendemos formar apenas especialistas capazes de construir algoritmos. Queremos formar profissionais que saibam avaliar quando uma solução pode ser utilizada, quais são as suas limitações, que riscos comporta e como pode ser integrada nos cuidados de saúde sem comprometer a segurança dos doentes. A inovação só produz verdadeiro valor quando consegue chegar à prática clínica de forma responsável”, acrescenta Jorge Mendes.

Durante os 15 meses de desenvolvimento do projeto, o consórcio vai analisar as necessidades dos sistemas de saúde e do mercado de trabalho, consultar entidades académicas, clínicas e empresariais e comparar a oferta formativa existente na Europa e a nível internacional.

A partir desse trabalho serão definidos o perfil dos estudantes, as competências a adquirir, os resultados de aprendizagem e a estrutura curricular. O projeto prevê também a criação de percursos de mobilidade internacional entre as universidades participantes, estágios em contextos clínicos reais e processos conjuntos de candidatura, admissão e avaliação.

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A preparação do processo de acreditação e a definição do modelo de governação do consórcio fazem igualmente parte do projeto. Além das três universidades, a iniciativa contará com a participação de parceiros académicos, clínicos, científicos, empresariais e da sociedade civil da Europa, África e América Latina.

O acordo de financiamento entre a Universidade NOVA de Lisboa e a Comissão Europeia deverá ser assinado até 31 de outubro de 2026, permitindo, caso o calendário se confirme, o arranque do projeto em novembro. Os 15 meses de desenvolvimento deverão terminar em janeiro de 2028.

Nessa altura, o consórcio pretende apresentar uma candidatura, previsivelmente em fevereiro de 2028, à linha Erasmus Mundus Joint Masters. Uma eventual aprovação poderá abrir caminho ao financiamento de bolsas para estudantes durante cinco anos.

Se esta segunda candidatura for aprovada, a primeira edição do mestrado europeu em inteligência artificial aplicada à medicina poderá arrancar no ano letivo de 2028/2029.

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