Um grupo de assaltantes colombianos radicado em Espanha é suspeito de estar por trás de vários roubos a residências de futebolistas que atuam em clubes de Portugal, Espanha, França e Itália. O mais recente caso terá como vítima Deniz Gul, jogador do F. C. Porto, cuja casa foi assaltada no domingo.
De acordo com o Jornal de Notícias, o futebolista estava concentrado no estágio do F. C. Porto para o primeiro jogo da Liga Portugal quando um grupo entrou, cerca das 10 horas, num prédio em Vila Nova de Gaia, chegou ao apartamento e arrombou a porta.
Do interior foram levados dinheiro, relógios e joias, num valor total próximo dos 250 mil euros. O assalto acabou por ser descoberto por vizinhos, que estranharam o estado da porta e alertaram a PSP. Quando os agentes chegaram ao local, os suspeitos já tinham fugido.
O método utilizado apresenta semelhanças com outros assaltos a casas de futebolistas, incluindo o que teve como vítima Jan Bednarek, também jogador do F. C. Porto.
Bednarek surpreendeu assaltantes dentro de casa
Segundo o Jornal de Notícias, Bednarek saiu da residência, na zona da Foz, no Porto, pouco antes das 21 horas de 9 de maio, acompanhado pela família. Os assaltantes que estariam a vigiar a casa terão interpretado a saída como uma ausência prolongada.
O jogador, contudo, regressou pouco depois, após ter ido levar um amigo do filho a casa, e encontrou cinco homens no interior da habitação.
Bednarek foi ameaçado com uma faca e os suspeitos fugiram levando cerca de 150 mil euros em joias e relógios.
A PSP suspeita de que os autores dos assaltos a Deniz Gul e Bednarek sejam os mesmos e que integrem uma organização criminosa de origem colombiana estabelecida em Espanha.
Grupo terá acesso a informação sobre hábitos dos jogadores
A investigação aponta para um método preparado com antecedência. Antes dos roubos, os suspeitos recolhem informação sobre os hábitos, horários e estilo de vida dos futebolistas.
A PSP admite que o grupo possa recorrer a pessoas que tenham contacto com os atletas nos diferentes países para obter informação privilegiada sobre os alvos.
Depois de escolhido o jogador, a organização envia normalmente quatro ou cinco operacionais para a cidade onde este reside. Entre os elementos destacados estará habitualmente uma mulher, numa tentativa de levantar menos suspeitas durante as ações de vigilância.
O objetivo é entrar nas casas quando os jogadores estão ausentes, sobretudo durante estágios ou jogos.
Casas são vigiadas antes dos assaltos
Os suspeitos chegam a controlar os movimentos dos atletas e das famílias durante o dia anterior ao roubo e recorrem a situações aparentemente normais para confirmar se as habitações estão vazias.
No caso de Bednarek, por exemplo, terá sido lançada uma bola para o interior da propriedade, permitindo aos suspeitos tocar à campainha com o pretexto de a recuperar e verificar se alguém se encontrava em casa.
Depois dos assaltos, os elementos do grupo regressam a Espanha no próprio dia, onde os bens roubados serão vendidos no mercado negro.
A PSP está a trabalhar com autoridades de outros países, incluindo Espanha e Itália, para tentar desmantelar a organização. Em Portugal, as diligências estão a cargo de uma equipa especializada em roubos violentos da Divisão de Investigação Criminal do Porto.
Outros futebolistas já foram vítimas em Portugal
O padrão identificado pela investigação tem semelhanças com vários casos registados nos últimos anos.
Em dezembro de 2019, a casa de Otávio, então jogador do F. C. Porto, em Vila Nova de Gaia, foi assaltada enquanto decorria um jogo da equipa frente ao Feyenoord. A mulher e os filhos encontravam-se na residência e terão detetado pelo menos três intrusos no piso superior.
Em janeiro de 2020, a casa de Jesús Corona, em São Félix da Marinha, foi alvo de um assalto durante um jogo entre Braga e F. C. Porto. Uma funcionária que estava no interior foi ameaçada e foram levadas joias e outros objetos de valor.
Já em dezembro de 2021, Nicolás Otamendi, então jogador do Benfica, foi surpreendido por assaltantes quando regressava à residência em Almada depois de um jogo com o Famalicão. O defesa argentino foi agredido e ameaçado, enquanto a mulher e os filhos estavam em casa. Os ladrões levaram relógios, joias e dinheiro.
Casos semelhantes em França, Itália e Espanha
A polícia suspeita de que a mesma organização tenha também visado jogadores de clubes como Barcelona, PSG e Roma.
Em 2021, Ángel Di María foi vítima de um assalto enquanto jogava pelo PSG, com familiares no interior da residência. Pouco depois, a família de Marquinhos foi igualmente alvo de um ataque marcado por violência e intimidação.
Mais recentemente, em julho deste ano, a casa de Lamine Yamal, nos arredores de Barcelona, foi alvo de uma tentativa de assalto horas depois de o jogador ter ajudado Espanha a garantir a presença na final do Mundial.
O Jornal de Notícias refere ainda que questionou o F. C. Porto sobre a eventual adoção de medidas adicionais de segurança nas residências dos seus jogadores, mas o clube não prestou esclarecimentos.














