O eclipse solar de 12 de agosto aproxima-se e, para milhares de pessoas que já planeiam onde assistir ao fenómeno, a grande questão começa a deixar de ser astronómica: estará o céu suficientemente limpo para o ver?
Para já, as notícias são relativamente boas. As previsões analisadas pelo ‘Luso Meteo’ apontam para um dia geralmente pouco nublado em Portugal, favorecido pela presença de altas pressões sobre o oeste da Europa. Mas ainda há incerteza suficiente para que ninguém possa garantir que as nuvens não apareçam precisamente no pior momento.
E existe um detalhe decisivo: o eclipse acontecerá perto do pôr do Sol. Isso significa que não basta olhar para a previsão de nebulosidade ao longo do dia. O que estiver junto ao horizonte oeste ao final da tarde poderá decidir tudo.
Norte e Interior partem em vantagem
Os cenários meteorológicos disponíveis apontam, para já, para condições mais favoráveis no Norte e no Interior.
É uma indicação particularmente relevante porque será precisamente no extremo nordeste de Portugal, numa pequena zona do distrito de Bragança, que poderá ser observada a fase total do eclipse.
Se as previsões atuais se mantiverem, quem se deslocar para esta região terá boas hipóteses de encontrar céu suficientemente aberto para assistir ao fenómeno.
Ainda assim, a meteorologia continua longe de oferecer uma garantia. Alguma nebulosidade de desenvolvimento poderá surgir no Interior Norte, embora os modelos não apontem atualmente para uma situação generalizada que comprometa a observação.
Litoral é onde existe maior risco
A situação é mais incerta junto à costa ocidental.
Alguns cenários meteorológicos admitem a formação de neblina ou nebulosidade baixa no litoral Norte e Centro, sobretudo devido à humidade marítima.
O problema é que esta nebulosidade nem sequer precisa de ocupar grande parte do céu para estragar o eclipse.
Como o Sol estará muito baixo, basta uma camada de nuvens junto ao horizonte oeste para o esconder, mesmo que durante boa parte do dia o céu tenha estado praticamente limpo.
Segundo o ‘Luso Meteo’, este não é atualmente o cenário considerado mais provável, mas é uma possibilidade que não pode ser excluída e uma das variáveis que só poderá ser prevista com maior confiança quando estivermos mais próximos de quarta-feira.
Uma nuvem no horizonte pode fazer toda a diferença
É precisamente a hora do fenómeno que torna esta previsão particularmente delicada.
A nebulosidade baixa associada à influência marítima pode desenvolver-se rapidamente ao final da tarde. Isso significa que um local que tenha passado o dia com céu limpo poderá apresentar nuvens junto ao horizonte na altura do eclipse.
Para quem pretende assistir ao fenómeno no litoral, será por isso particularmente importante acompanhar a evolução das previsões durante os próximos dias e, sobretudo, no próprio dia 12.
Ter céu azul ao longo da tarde não será necessariamente garantia de uma boa observação.
E no Sul?
No Sul do país, os modelos admitem alguma nebulosidade de desenvolvimento, tanto no litoral como no Interior, mas para já sem intensidade suficiente para suscitar grande preocupação.
O cenário dominante continua a ser de condições relativamente favoráveis para observar o eclipse, embora a posição concreta das nuvens só possa ser determinada com maior precisão nas previsões de muito curto prazo.
No conjunto do território, não existe atualmente qualquer indicação de nebulosidade generalizada capaz de impedir a observação em grande parte de Portugal.
Ir para Espanha também tem riscos
Quem estiver a pensar atravessar a fronteira para procurar uma zona mais ampla de totalidade deverá também ter atenção à meteorologia.
No norte de Espanha, algumas regiões, sobretudo áreas montanhosas e zonas situadas mais a norte, poderão registar nuvens baixas que dificultem ou mesmo impeçam a observação.
Ou seja, estar dentro da faixa de totalidade não será suficiente: céu limpo e horizonte desimpedido serão igualmente essenciais.
O horizonte oeste será tão importante como as nuvens
Há ainda outro cuidado para quem já está a escolher o local de observação.
Como o eclipse decorrerá com o Sol próximo do horizonte, montanhas, árvores ou edifícios poderão bloquear a visão mesmo num dia perfeitamente limpo.
O ‘Luso Meteo’ recomenda procurar antecipadamente um ponto com horizonte oeste aberto e, se possível, confirmar nos dias anteriores se o Sol é visível nesse local por volta das 19h30.
Locais elevados poderão oferecer vantagem, desde que não existam obstáculos na direção do pôr do Sol.
Para já, previsão é favorável — mas ainda não definitiva
A fotografia meteorológica atual é, portanto, relativamente otimista: altas pressões deverão favorecer tempo estável e céu pouco nublado em boa parte de Portugal.
Norte e Interior apresentam, nesta fase, as melhores condições potenciais. O litoral é a zona onde a possibilidade de neblina e nuvens baixas merece maior atenção.
Mas há ainda vários dias pela frente e, quando se trata de prever nebulosidade junto ao horizonte, pequenas alterações podem fazer uma enorme diferença.
Para quem quer assistir ao eclipse, a recomendação é simples: os planos podem começar a ser feitos, mas a decisão final sobre onde ficar deverá esperar pelas previsões mais próximas de 12 de agosto.
Porque neste caso não será necessária uma tempestade para estragar o espetáculo. Bastará uma nuvem no lugar errado, à hora errada.
















