Companhias aéreas recusam diminuir ocupação dos voos

A ideia não foi bem acolhida, sendo até recusada, uma vez que segundo as próprias companhias, tal decisão fará com que o preço dos bilhetes aumente em 50%, podendo até conduzir a uma eventual falência.

Simone Silva

Com a epidemia do novo coronavírus, para além da aplicação das devidas medidas de higiene e segurança, as companhias aéreas foram aconselhadas a diminuir a capacidade de lotação dos voos, para evitar uma proximidade entre os passageiros.

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Contudo, as empresas recusaram-se a aceitar essa decisão, alertando que a medida implicaria a falência da maioria das empresas ou aumentaria os bilhetes em 50%. A UE vai tentar chegar a um acordo esta quarta-feira, de acordo com o ‘El País’.

Enquanto esperam por um acordo mútuo, empresas como Iberia, American Airlines, Air France ou Lufthansa já avançaram um protocolo de segurança para ser implementado nos primeiros voos, pós-pandemia, no qual é estipulado o uso obrigatório de máscara, a suspensão da maioria dos serviços a bordo e a aplicação de medidas extras de higiene e distanciamento social.

Antes do embarque, também será implementado o controlo de temperatura e a necessidade de apresentação do «passaporte de saúde», para garantir que os passageiros estão imunes à doença, medidas estas que consideram suficientes, não vendo qualquer necessidade de reduzir a lotação e colocar assentos vazios.

«O controlo de temperatura, os testes da covid-19, o uso de máscara, sem descartar outras medidas, tais como o passaporte de saúde, são suficientes.O que torna desnecessárias, por exemplo, medidas como a diminuição de lugares dentro do avião», defende Javier Gándara, presidente da Associação de Companhias Aéreas (ALA) citado pelo ‘El País’.

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A mesma opinião é partilhada pela Comissão Europeia (CE).

Já a Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA) justifica a sua posição com o facto de que a indústria necessita de uma ocupação de pelo menos 77% para ter lucro. Com esta decisão as despesas vão acabar por multiplicar-se e o preço dos bilhetes terá de aumentar entre 43% e 54%, explica a IATA.

A Air France já implementou desde segunda-feira em todos os seus voos a medição de temperatura, utilizando termómetros infravermelhos sem contacto. Não é permitido o embarque de clientes com temperatura acima de 38 graus, sendo a sua reserva alterada gratuitamente para outra data.

A Ryanair já disse publicamente que não voltava a operar caso tivesse de o fazer com lugares vazios, por considerar que não será viável, em termos económicos, viajar apenas com uma taxa de ocupação de 60%.

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