Guerra entre NATO e Rússia custaria ao mundo 1,5 biliões de dólares em apenas um ano, revela relatório

Líderes europeus estão a preparar-se para esse cenário, ao passo que Vladimir Putin acelera a produção militar e endurece a sua retórica expansionista

Francisco Laranjeira

Um eventual conflito militar entre a Rússia e a NATO poderia custar, em apenas um ano, 1,5 biliões de dólares, segundo estimativas da ‘Bloomberg’.

Os líderes europeus estão a preparar-se para esse cenário, ao passo que Vladimir Putin acelera a produção militar e endurece a sua retórica expansionista, numa altura em que o compromisso dos EUA com a NATO levanta mais perguntas do que respostas.



“Acredito que russos e ucranianos são um só povo e, nesse sentido, toda a Ucrânia é nossa”, já indicou Putin, no Fórum Económico de São Petersburgo, sobre as fronteiras atuais da Ucrânia.

Embora uma guerra total entre a Rússia e a NATO ainda seja vista como improvável, as agências de inteligência europeias têm alertado que Moscovo pode estar pronta para iniciar um conflito em apenas cinco anos. Já a Dinamarca, por sua vez, acredita que a ameaça a um país membro da NATO pode tornar-se credível em apenas dois anos.

O cenário mais preocupante seria um ataque à Estónia, Letónia ou Lituânia, três antigas repúblicas soviéticas com minorias russas significativas.

Um ataque na região do Báltico — onde Putin poderia justificar a intervenção alegando proteger cidadãos russos após um suposto “incidente” na rota Moscovo-Kaliningrado — testaria a disposição de Washington de cumprir a sua promessa de defesa coletiva.

O Kremlin poderia justificar o envio de tropas sob o pretexto de “resgatar” compatriotas supostamente em perigo, um cenário já repetido em ataques russos anteriores.

Tal conflito teria um impacto económico devastador. Segundo a ‘Bloomberg’, a destruição direta, a interrupção do fornecimento de energia da Rússia e o colapso dos mercados poderiam reduzir o PIB global em 1,3%.

Para os países bálticos, a queda seria brutal: 43,4%. Já os EUA e a China sofreriam perdas de 0,7% e 0,8%, respetivamente.

Os mercados de ações afundariam e o comércio no Mar Báltico ficaria paralisado, impactando severamente os fluxos logísticos entre a Europa e a Ásia.

No caso de um ataque, espera-se que a Rússia bloqueie o acesso ao Mar Báltico, tome o controlo de ilhas estratégicas e corte as ligações terrestres dos países bálticos com a Polónia através do chamado “Corredor Suwalki”.

A retaliação europeia, mesmo que a NATO não responda de forma unida, pode escalar o conflito a ponto de ataques russos contra infraestruturas críticas em cidades como Berlim ou Paris. A ameaça nuclear acrescenta um fator complicador a qualquer resposta rápida.

Embora a chantagem nuclear russa tenha se tornado normal nos países orientais, as potências ocidentais podem estar mais relutantes em se envolver em confronto direto, especialmente se Moscovo apresentar a sua estratégia como defensiva.

Nesse caso, uma resposta morna de Trump — mais inclinado a pedir negociações na rede social ‘Truth Social’ do que a ordenar mobilizações — agravaria a crise.

No outro extremo, uma solução diplomática ainda está a ser considerada. A Administração Trump sugeriu que, no caso de um acordo de paz entre a Ucrânia e a Rússia, o comércio poderia ser restabelecido e as sanções contra Moscovo suspensas.

No entanto, a maioria dos Governos europeus está cautelosa quanto ao regresso à normalidade após o esforço de se tornar independente do gás russo.

A China, principal aliada de Moscovo, não parece disposta a usar a sua influência para conter o conflito. E embora nem a Ucrânia nem a Rússia tenham capacidade para uma vitória completa, os analistas concordam que a guerra se arrastará até que uma solução negociada seja alcançada.

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