2026. Acima de tudo, transformação, num ano desafiante, marcado por imprevisibilidade e rápidas mudanças no cenário global e que exige dinamismo de todos. Neste ambiente, a confiança será uma ferramenta decisiva para permitir o progresso e a evolução de Portugal. Para compreender os principais desafios e metas que Portugal enfrentará nos próximos meses, a Executive Digest ouviu vários líderes de empresas e instituições nacionais.
Nesse sentido, ficaremos a conhecer o que Vera Vicente, Administradora-delegada da Repsol em Portugal, antecipa para um ano que exige, com responsabilidade, decisão, execução, equilíbrios delicados, optimismo e esperança (com cheiro a pólvora) e ambição colectiva.
- Quais os maiores desafios e alterações que o seu sector e empresa, em particular, pode enfrentar em 2026?
- Que impacto terá o actual quadro geopolítico no seu sector?
- Alguma oportunidade que a sua empresa/ sector não pode perder em 2026?
- Uma palavra que possa definir 2026.
1. No setor da energia, o maior desafio de 2026 será gerir a complexidade, garantindo equilíbrio entre pragmatismo e ambição. Não basta promover a transição energética, é fundamental fazê-lo assegurando garantia de fornecimento, acessibilidade e competitividade num contexto global cada vez mais imprevisível e fragmentado. A energia deixou de ser apenas um recurso e tornou-se um pilar estrutural da economia, da indústria e da coesão social, o que exige decisões mais integradas e menos ideológicas.
Para a Repsol, isso significa evoluir para uma lógica de complementaridade entre soluções energéticas, onde a transição energética não se limita a uma única solução, como eletrificação, mas integra, também, outras tecnologias de baixo carbono – como, por exemplo, os combustíveis renováveis, o hidrogénio e a economia circular – sem comprometer a segurança de abastecimento.
A crescente procura de energia, materializada, por exemplo, no forte investimento na digitalização e na criação e expansão de infraestruturas de armazenamento de dados e informação (os data centers), reforça a necessidade de aproveitar todas as soluções energéticas possíveis. Este cenário exige que as empresas de energia promovam uma resposta integrada que permita acompanhar este aumento de procura e, simultaneamente, garantir o avanço da transição energética.
Outro ponto crítico será garantir um mercado justo e transparente. Em Portugal, o combate à fraude fiscal e legal na importação e comercialização de combustíveis tornou-se prioritário dado o crescimento significativo nos últimos meses. Reforçar mecanismos de controlo e promover regras equitativas será essencial para assegurar competitividade e confiança no setor.
Por fim, 2026 será um ano de concretização. Marcará a entrada em operação de investimentos industriais estruturantes, nomeadamente a inauguração de novas fábricas no Complexo Industrial de Sines da Repsol, dedicadas à produção de produtos circulares e de baixo carbono.
2. A instabilidade geopolítica atual veio evidenciar, de forma inequívoca, a importância da autonomia e da soberania energética na Europa. As cadeias de abastecimento tornaram-se mais vulneráveis a riscos externos, reforçando a importância da diversificação das fontes de energia. Neste cenário, a Península Ibérica assume um papel estratégico posicionando-se como um hub central para o fornecimento energético, uma oportunidade que não podemos desperdiçar.
Na Repsol, estamos a transformar os nossos seis complexos industriais em centros multienergéticos, capazes de processar uma ampla gama de matérias-primas e resíduos e de produzir combustíveis com baixa pegada de carbono, incluindo soluções 100% renováveis. Esta estratégia permite-nos reforçar a segurança do abastecimento, diversificar o portefólio energético e, avançar de forma consistente para a meta de zero emissões líquidas até 2050.
O nosso objetivo é completar o “puzzle energético”, integrando todas as fontes disponíveis para mitigar riscos globais e garantir que a energia segura, sustentável e acessível chegue a empresas e cidadãos de forma contínua e confiável.
3. 2026 será um ano decisivo para acelerar a descarbonização através dos combustíveis renováveis. A revisão das metas da União Europeia sobre a exclusão de veículos a combustão em 2035 e a revisão da Diretiva de Energias Renováveis (RED III) reforçam as condições para integrar soluções para a descarbonização em todos os segmentos de mobilidade em Portugal, permitindo que os consumidores escolham a tecnologia que melhor se adapta às suas necessidades e orçamento, sem comprometer os objetivos climáticos. A Repsol está preparada para liderar esta transformação: já produz combustíveis 100% renováveis e dispõe de uma rede de mais de 1500 estações de serviço em Portugal e Espanha, oferecendo estas soluções ao mercado. A montante, os investimentos em novas unidades industriais, reforçam a capacidade de produção de produtos circulares e de baixo carbono.
No plano industrial, 2026 marca um momento-chave. Em Sines, está prevista para o segundo semestre a conclusão do projeto ALBA classificado como Projeto de Interesse Nacional (PIN) e o maior investimento industrial realizado em Portugal na última década pela Repsol. O projeto inclui a construção de duas novas fábricas de polímeros 100% recicláveis, reforçando o papel de Sines como polo industrial estratégico, gerador de novas cadeias de valor, e promotor de atração de talento qualificado. Em paralelo, em Puertollano, Espanha, arrancará em 2026 uma segunda fábrica de combustíveis 100% renováveis, com capacidade para 200 mil toneladas por ano, reforçando a escala industrial e a integração ibérica da transição energética.
Outro eixo estratégico é a digitalização e a Inteligência Artificial fundamentais para otimizar a gestão de ativos e personalizar a experiência do cliente. O nosso modelo de multienergia materializa esta visão através de uma plataforma integrada, que permite ao cliente gerir todas as suas energias – para o lar e para a mobilidade – num único espaço digital. Esta integração simplifica a gestão do dia-a-dia e oferece um valor acrescentado único através de descontos cruzados, ofertas exclusivas e serviços personalizados.
4. EQUILÍBRIOS.
A escolha da palavra no plural reflete a necessidade de harmonizar múltiplas dimensões, num setor que se encontra em transformação profunda. Será essencial encontrar equilíbrios entre energias e equilíbrios entre forças muitas vezes opostas: ambição e pragmatismo, transição e segurança, investimentos e retornos, agilidade e regulação, curto e longo prazo. Neste contexto, também a regulamentação terá um papel determinante, não apenas como enquadramento, mas como elemento de equilíbrio, criando as condições para que todas as soluções de descarbonização da mobilidade possam competir em pé de igualdade e ser complementares, reduzindo as emissões da forma mais rápida e eficaz possível.
Num contexto global marcado por volatilidade geopolítica, pressão regulatória e exigências crescentes de descarbonização, 2026 será o momento de provar que é possível conciliar objetivos climáticos com competitividade industrial, transformando desafios em oportunidades e garantindo que a transição energética é inclusiva, realista e sustentável e que responde à crescente procura de energia com soluções diversificadas e seguras.







