O novo Líder Supremo do Irão, Mojtaba Khamenei, dirigiu-se hoje pela primeira vez à população iraniana após assumir o cargo, num discurso transmitido pela televisão estatal e divulgado também através das redes sociais oficiais. Na mensagem, o sucessor de Ali Khamenei apelou à união do país, elogiou as Forças Armadas e prometeu continuar a confrontação com os adversários externos do regime, garantindo que Teerão irá “vingar o sangue dos mártires”.
A intervenção marca a primeira declaração oficial de Mojtaba Khamenei desde que foi nomeado líder supremo, cargo que assumiu após a morte do pai, Ali Khamenei, assassinado no início da ofensiva militar lançada a 28 de fevereiro pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irão.
As primeiras palavras do novo líder tiveram um forte tom religioso e mobilizador. De acordo com a transmissão da televisão estatal iraniana, Mojtaba Khamenei começou por apelar à união do povo e à participação no Dia de Quds, uma jornada anual de apoio à causa palestiniana que se realiza durante o mês do Ramadão e que este ano decorre em grande parte durante o mês de março.
No discurso, pediu ainda que os iranianos permaneçam unidos perante as ameaças externas. “Peço ao povo do Irão de todos os modos de vida que fique firme contra o inimigo”, declarou.
O líder enviou também condolências às famílias que perderam entes queridos durante o conflito em curso, garantindo que os danos provocados pela guerra serão compensados. Ao mesmo tempo, advertiu que “os crimes contra a Humanidade e as crianças não vão ser ignorados”.
Na mensagem, Mojtaba Khamenei deixou claro que o Irão não pretende recuar na sua estratégia de confronto com os adversários externos.
“Inevitavelmente, vamos continuar”, afirmou, referindo-se à continuidade da guerra e à pressão exercida contra aquilo que classificou como “o inimigo”.
O líder garantiu que o país fará tudo para vingar “o sangue dos mártires”, sublinhando que essa resposta faz parte da estratégia política e militar do regime iraniano.
Estreito de Ormuz como instrumento de pressão
Um dos pontos centrais do discurso foi a confirmação de que o Irão pretende continuar a utilizar o Estreito de Ormuz como instrumento de pressão económica e geopolítica.
Mojtaba Khamenei afirmou que o bloqueio desta passagem marítima estratégica deve continuar a ser utilizado como “ferramenta de pressão ao inimigo”, numa referência ao impacto que eventuais restrições no tráfego de navios poderão ter nos preços internacionais do petróleo.
No comunicado divulgado pela sua equipa, o líder sublinhou que “a alavanca do bloqueio ao Estreito de Ormuz deve seguir a ser usada”, depois de ataques contra navios registados na região no âmbito da resposta iraniana à ofensiva militar dos Estados Unidos e de Israel.
Segundo o líder iraniano, a estratégia visa “pressionar o inimigo”, nomeadamente através da subida dos preços do petróleo.
Aviso direto aos Estados Unidos
Durante a intervenção, Mojtaba Khamenei dirigiu também um aviso explícito a Washington, exigindo o encerramento de todas as bases militares norte-americanas no Médio Oriente.
Caso isso não aconteça, advertiu que essas instalações poderão tornar-se alvo de ataques. “Pedimos o encerramento imediato de todas as bases dos Estados Unidos na região”, afirmou.
O líder sublinhou, contudo, que o Irão não pretende atingir os países da região. “Acreditamos na amizade com os vizinhos e só atingimos as bases”, declarou, insistindo que eventuais ataques seriam dirigidos exclusivamente contra as forças norte-americanas.
Ainda assim, reiterou que essa estratégia irá continuar: “Inevitavelmente, vamos continuar”.
Elogio às forças armadas e ao “eixo da resistência”
Na mesma mensagem, Mojtaba Khamenei destacou o papel das forças militares iranianas na resposta ao conflito.
Segundo o líder, as Forças Armadas do país “bloquearam o caminho do inimigo com golpes esmagadores” e retiraram aos adversários “a esperança de dominar a pátria e possivelmente dividi-la”.
O discurso incluiu também elogios aos chamados “combatentes do frente da resistência”, uma referência a organizações aliadas do Irão na região, como o Hezbollah no Líbano, os Huthis no Iémen e várias milícias pró-iranianas ativas no Iraque.
Nesse contexto, apelou aos países do Médio Oriente para que expulsem as forças estrangeiras das suas bases militares. Caso isso não aconteça, avisou que essas instalações continuarão a ser alvo de ataques iranianos.
Antes da divulgação do discurso, a equipa do novo líder tinha anunciado a publicação de um “mensagem estratégica” estruturada em “sete secções importantes”.
Entre os temas mencionados estavam o legado do “líder martirizado da Revolução”, numa referência a Ali Khamenei, o papel do povo iraniano, as responsabilidades das Forças Armadas, o funcionamento dos organismos executivos do Estado, o papel do chamado frente de resistência, as relações com os países da região e a continuação da luta contra os inimigos do Irão.
Mojtaba Khamenei foi nomeado Líder Supremo no domingo pela Assembleia de Peritos, órgão responsável por escolher a liderança máxima da República Islâmica.
A escolha ocorreu após a morte do seu pai, Ali Khamenei, assassinado a 28 de fevereiro no início da ofensiva militar lançada pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irão.




