Portugueses estão mais tolerantes e menos racistas

O Eurobarómetro sobre discriminação na União Europeia identifica que há discriminação étnica generalizada em Portugal, mas atesta que as mentalidades estão a mudar.

TitiAna Barroso

O Eurobarómetro sobre discriminação na União Europeia atesta que as mentalidades parecem estar a mudar. Mas ainda há muitos portugueses com reservas quando o assunto é a pessoa com quem o filho ou filha tem uma relação amorosa.

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A discriminação ainda existe, mas os portugueses estão cada vez mais confortáveis com os diferentes grupos etnográficos.
O estudo de opinião do Eurobarómetro sobre discriminação na União Europeia não era realizado há 4 anos. Os números agora divulgados pela Comissão Europeia, analisados pela TSF, revelam que 67% dos portugueses acreditam que a discriminação étnica está generalizada no país, nomeadamente com base na cor da pele ou contra as pessoas de origem cigana.

Portugal é ainda o segundo país da União Europeia onde mais pessoas (71%) defendem que há discriminação contra gays, lésbicas e bissexuais.

Mentalidades em mudança?

No entanto, quando chegamos a questões sobre uma série de atitudes concretas os portugueses mostram que as mentalidades parecem estar em mudança.

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Um exemplo: 57% sentem-se totalmente confortáveis em ter um gay, lésbica ou bissexual no mais alto cargo político do país, mais 12 pontos percentuais que em 2015.

Também estão a descer os que preferem não trabalhar com alguém com uma orientação sexual diferente da maioritária (11% contra 17% em 2015), bem como aqueles que preferem não ter um colega de raça negra (2% contra os 6% de 2015).
Os ciganos continuam a ser a minoria que mais portugueses preferem não ter como colegas no local de trabalho (17%), seguido dos muçulmanos (15%) e gays, lésbicas ou bissexuais (11%).

Continuam a ser também muitos, 37%, os que não gostam de ver dois homens a mostrar afeto na rua, de mãos dadas ou aos beijos, percentagem que desce para 34% se forem duas mulheres, mas este desconforto está claramente em queda se compararmos com o que acontecia em 2015 quando ambas as percentagens andavam quase nos 50%.

Outro sinal de mudança está no aumento para 78% dos que defendem que gays, lésbicas ou bissexuais devem ter os mesmos direitos que os heterossexuais, idêntica percentagem aos que concordam com o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

As relações amorosas dos filhos

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Uma das perguntas onde mais portugueses se mostram sensíveis está relacionada com as pessoas com quem os filhos têm uma eventual relação amorosa: 42% admite que se sentiria desconfortável se o filho (ou filha) lhe apresentasse uma “cara-metade” do mesmo sexo.

Segue-se, de perto, o desconforto se o filho tiver uma relação com alguém cigano (39%) ou muçulmano (34%).

Há, contudo, cada vez menos portugueses que dizem sentir-se desconfortáveis se o filho tiver uma relação amorosa com alguém negro (8% contra 14% em 2015), numa percentagem igual à se for um ateu, sendo muito mais os que admitem esse desconforto se a pessoa for judia, asiática ou portadora de uma deficiência.

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