Portugal faz parte do top 3 dos países da UE27 onde o sector industrial é maior, uma vez que responde por 28% do total da actividade económica. O pódio é partilhado com a Polónia, que apresenta o mesmo valor, e com a Itália, que lidera com 32%, de acordo com o mais recente Inquérito Europeu às Empresas desenvolvido pela Fundação Europeia para a Melhoria das Condições de Vida e de Trabalho (Eurofound) e pelo Centro Europeu para o Desenvolvimento da Formação Profissional (Cedefop).
Por indústria, entende-se todo o tipo de manufactura, mineração, fornecimento de electricidade ou gás, por exemplo, mas também fornecimento de água e gestão de desperdício.
Já no que ao comércio e à hotelaria diz respeito, Portugal volta a destacar-se: 46% das empresas corresponde a este sector, o que compara com 44% no Chipre, 23% no Luxemburgo e apenas 10% na vizinha Espanha. Por outro lado, é ultrapassado pela Grécia, onde 48% das empresas é deste sector.
Portugal aparece no extremo oposto do top quando o assunto é transporte. Se, em Malta, esta área de actividade económica é responsável por 14% das empresas; em Portugal e na Irlanda, não vai além dos 3%.
Também no campo dos serviços financeiros, Portugal aparece na cauda da Europa: apenas 1% das empresas faz parte deste sector, precisamente o valor apresentado por Itália. Em linha com esta percentagem estão também Croácia, Lituânia e Roménia (2%). Por outro lado, Malta (14%) e Luxemburgo (9%) são os países onde os serviços financeiros têm maior expressão.
A categoria “Outros serviços” responde por 50% dos negócios em Espanha e por 45% no Reino Unido, mas em Portugal fica-se pelos 11%. Malta também não se destaca muito, com 14% das empresas a encaixar neste sector.
Mas, atenção, o estudo inclui apenas empresas com pelo menos 10 empregados e deixa de fora negócios que possam ter começado a operar recentemente, nomeadamente durante a pandemia de COVID-19. No total, 25% dos negócios analisados já existe há 21-30 anos.
Colaboração, outsourcing ou assim-assim?
Recorrer exclusivamente a outsourcing é um comportamento dominante na Eslovénia (15%), mas também em Portugal, Espanha e Roménia (8%). Por outro lado, é menos notório no Reino Unido (1%), Finlândia, Irlanda ou Suécia (2%).
O mesmo estudo revela que, no geral da UE27, 26% das empresas cria relações profissionais com outras organizações: 5% aposta unicamente no outsourcing e 21% colabora com outras empresas.
Portugal destaca-se também por ser o país onde os contratos a termo certo são mais dominantes, seguido logo depois pela Holanda: 43 e 42% dos gestores inquiridos pela Eurofound e pelo Cedefop nestes países, respetivamente, referem que mais de 20% dos trabalhadores tem um contrato a termo certo. No sentido inverso, surgem Malta e Roménia (8 e 9%, respectivamente).
Ainda sobre o modelo de trabalho, o estudo mostra que Portugal e Eslovénia surgem em último lugar no que concerne a aposta em trabalho a part-time, uma vez que somente 4% dos gestores afirma que 20% ou mais dos empregados trabalha apenas parte do tempo. Holanda (57%) e Irlanda (54%) lideram.
Portugal é mau exemplo das relações sindicais
No total da UE27, 29% das empresas conta com uma estrutura oficial de representação dos trabalhadores. Organizações maiores apresentam uma probabilidade superior de ter um sindicato (76%) do que as médias (51%) ou pequenas (23%) empresas.
No geral, este tipo de estruturas de representação são mais comuns na Roménia (56%) e na Finlândia (55%), com a Grécia (2%) no extremo oposto. E onde entra Portugal? Tal como a Letónia, apenas 4% das empresas em Portugal tem estruturas representativas de trabalhadores.
Olhando apenas para as pequenas empresas, Portugal volta a aparecer no top dos piores, já que somente 2% das empresas tem uma estrutura que represente os funcionários. Neste caso, também está a par da Letónia (2%), sendo apenas superado pela Grécia (1%).
“Na maioria, se não em todas as empresas do Chipre, República Checa, Finlândia, Grécia, Malta, Portugal e Suécia que reportaram a presença de um órgão de representação, trata-se de uma delegação sindical”, indica o mesmo relatório.
Quanto à relação entre estes organismos e as empresas, gestores de 80% das organizações onde existe uma estrutura representativa dá conta de uma atitude muito ou moderadamente construtiva, ou seja, positiva. Roménia e Reino Unido destacam-se neste campo (94%), ao passo que Portugal (57%) aparece no extremo oposto.
O estudo mostra também que o tipo “má relação, pouca influência” é mais comum em Portugal (30%) e Bélgica (23%). Esta é uma relação caracterizada por uma gestão que olha para a estrutura representativa dos trabalhadores como pouco ou nada construtiva. Preferem consultar os trabalhadores directamente ou não comunicar com eles de todo. Nesse sentido, a influência de um sindicato, por exemplo, é baixa.
Outras conclusões:
– Em 36% da UE27, apenas uma pequena porção dos trabalhadores consegue organizar o seu trabalho de forma autónoma;
– As empresas recorrem mais a incentivos não-monetários para motivar os trabalhadores do que a incentivos monetários;
– 71% dos funcionários tem as competências necessárias para o trabalho que desempenham. Por outro lado, 16%, em média, tem competências a mais e 13%, também em média, tem competências a menos. Em Portugal, 78% dos trabalhadores tem competências em linha com a respectiva tarefa;
– Apenas 4% das empresas não providenciou qualquer tipo de formação aos seus empregados no ano anterior ao inquérito; Em Portugal, 42% das empresas indica ter oferecido formação a 80% ou mais do quadro laboral;
– Mais de dois terços dos gestores inquiridos, em toda a Europa, consideram que envolver os trabalhadores nas mudanças da organização oferece à mesma uma vantagem competitiva. Em Portugal, 88% dos gestores tem esta percepção, sendo mesmo o segundo país no top dos mais preocupados com o tema;
– Para 34% das empresas portuguesas, ter experiência anterior num posto de trabalho ou cargo semelhante é muito importante num processo de recrutamento. Apenas a Grécia (35%) supera Portugal;
– 54% dos gestores europeus afirma que o respectivo negócio comprou software desenvolvido especificamente ou personalizado de modo a responder às necessidades concretas da empresa. Portugal supera a média europeia, chegando aos 64%;
– 33% dos gestores de empresas portuguesas inquiridos aponta para a utilização de data analytics para melhorar a produção ou processos do serviço de entregas;
– Quanto à introdução de novos processos, 31% das empresas em Portugal dá uma resposta afirmativa, o que compara, por exemplo, com os 14% verificados na Alemanha.











