As negociações comerciais do Brexit entre o Reino Unido e a União Europeia (UE) estão prestes a ser retomadas após um contacto positivo entre os dois lados, de acordo com três fontes próximas do assunto, citadas pela agência ‘Bloomberg’.
Segundo as mesmas fontes, que falaram sob condição de anonimato, a decisão pode surgir nas próximas 24 horas, com os negociadores preparados para se sentar imediatamente com o objetivo de chegar a um acordo até meados de novembro.
O principal negociador do Reino Unido, David Frost, vai falar com o seu homólogo da UE, Michel Barnier pela terceira vez em dois dias, ainda no final desta quarta-feira, a fim de debaterem como pôr fim a um impasse e a um jejum de negociações formais de uma semana. Para já não está garantida nenhuma decisão até que a conversa aconteça, revelam as fontes.
Até agora, para o Reino Unido a UE não foi capaz de convencer o primeiro-ministro Boris Johnson de que tinha mudado a sua abordagem o suficiente para permitir o reinício das negociações. O país quer que ao bloco comece a elaborar um texto legal, no qual reconhece que a independência soberana do Reino Unido é fundamental e sinalize que está preparada para um acordo.
O Reino Unido deixou de ser membro da União Europeia (UE) em janeiro, mas concordou em continuar a aplicar as regras da UE até ao final de 2020 para garantir que teria tempo para chegar a um acordo sobre novos pactos de fronteira. No entanto, as negociações sobre um futuro acordo comercial continuam paradas, levantando sérias questões sobre como o processo se vai desenvolver.
Apesar de «algum progresso» em relação às regras de concorrência, os direitos de pesca continuam a ser um grande obstáculo nas negociações. Se por um lado, as tripulações de pesca baseadas na UE querem manter o seu acesso às águas do Reino Unido, por outro, o Reino Unido quer restringir esse acesso, mas continuar a vender peixe britânico no mercado da UE.
Para além disso, há uma outra questão que complica ainda mais as negociações: uma legislação apresentada pelo governo do Reino Unido, que substitui partes dos compromissos anteriores assumidos com a UE, chamada Lei do Mercado Interno.
Recorde-se que o prazo para a conclusão das negociações já chegou ao fim no dia 15 de Outubro, contudo ambas as partes concordaram em prolongar essa data para tentar que o Reino Unido não deixe definitivamente o bloco sem um acordo comercial, algo que Boris Johnson já admitiu que poderia acontecer.














