VIA Outlets Portugal: Um destino para além das compras

A evolução do consumo está a redefinir o formato outlet. experiência, valor e território ganham peso numa equação cada vez mais centrada no consumidor

Executive Digest

Os espaços comerciais têm assumido um papel mais amplo, deixando de ser apenas locais de aquisição de produtos para se afirmarem como destinos de experiência, conveniência e descoberta. A valorização da qualidade, dos serviços complementares e da criação de ambientes diferenciadores tornou-se um elemento central na estratégia dos operadores que procuram responder a consumidores mais informados e exigentes.

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É neste cenário de evolução contínua que os operadores têm vindo a reposicionar a sua proposta de valor, adaptando-se às novas dinâmicas económicas e sociais. Em entrevista à Executive Digest, Jorge Pinto Fernandes, Business director da VIA Outlets Portugal, explica como o Freeport Lisboa Fashion Outlet e o Vila do Conde Porto Fashion Outlet têm acompanhado as transformações do sector e como se distinguem no mercado enquanto parceiros de marcas.

Mais do que responder às tendências do momento, a estratégia passa por antecipar mudanças no comportamento dos consumidores e consolidar uma proposta de valor para as marcas capaz de se manter relevante a longo prazo, sublinhando que «o desafio não está em reagir a cada mudança, mas em identificar aquilo que é estrutural».

Mais integração, maior relevância

A diferenciação tornou-se um dos principais desafios do retalho, sobretudo nos segmentos médios e de entrada, tradicionalmente mais influenciados pela sensibilidade ao preço e pela evolução do rendimento disponível. Neste contexto, o modelo outlet tem conseguido afirmar uma posição relevante, ao combinar o acesso a marcas reconhecidas com uma forte percepção de valor por parte do consumidor.

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Para Jorge Pinto Fernandes, o crescimento deste formato não pode ser explicado apenas por factores económicos. A verdadeira diferenciação resulta da capacidade de acrescentar valor para além dos elementos tradicionais do negócio. «Marcas, produto e preço continuam a ser importantes, mas já não são suficientes para garantir competitividade sustentável», destaca, sublinhando que a diferença está hoje na qualidade da experiência global. A integração entre a oferta comercial, o espaço físico, a restauração, os serviços, a acessibilidade e a ligação ao território assume, assim, um papel determinante na construção de propostas mais completas e relevantes a longo prazo.

As prioridades passam por continuar a investir na oferta, nos serviços e na qualidade dos activos, num contexto em que a evolução do negócio exige uma capacidade permanente de «interpretar novos sinais, compreender tendências emergentes e ajustar prioridades sem perder de vista a direcção estratégica».

Espaços que criam valor

A localização dos espaços comerciais continua a afirmar-se como uma das principais vantagens competitivas, realidade particularmente evidente no Freeport Lisboa Fashion Outlet. A proximidade ao Aeroporto de Lisboa e a integração numa das regiões turísticas mais atractivas da Europa reforçam o seu posicionamento, factores que, segundo Jorge Pinto Fernandes, têm «naturalmente impacto na nossa actividade».

Em paralelo, o mercado nacional continua a assumir uma importância central para o Freeport Lisboa Fashion Outlet, destacando que «a sua relevância não se mede apenas em volume, mas também na frequência, na recorrência e na relação construída ao longo do tempo».

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Esta estratégia de valorização dos diferentes públicos acompanha- se, no Vila do Conde Porto Fashion Outlet, de um investimento significativo na expansão do espaço. A intervenção permitiu aumentar a área comercial, de forma a «elevar significativamente a qualidade da oferta, dos espaços, da restauração e dos serviços.» Para a VIA Outlets, o objectivo passa por «consolidar o posicionamento do Vila do Conde Porto Fashion Outlet como o principal destino outlet premium do Norte de Portugal e da Galiza».

Enquanto activo físico, o outlet está necessariamente ligado ao território onde se insere, dependendo das suas acessibilidades, da envolvente, da actividade económica e da qualidade das relações que estabelece localmente. «Essa integração exige intenção e compromisso, bem como compreender o contexto onde operamos, contribuir para a sua valorização e participar activamente na sua evolução», explica.

Neste contexto, a região da Galiza mantém uma importância estratégica. Pela proximidade geográfica e pela relação histórica, económica e cultural com o Norte de Portugal, a região espanhola continua a integrar a área natural de influência do outlet. «Temos acompanhado esforços de cooperação desenvolvidos no contexto da Euro-Região Galiza-Norte de Portugal, que contribuem para reforçar acessibilidades, mobilidade, promoção conjunta e criação de novas oportunidades para pessoas e empresas dos dois lados da fronteira.» O objectivo passa por acompanhar a evolução do turismo e consolidar a posição do espaço enquanto referência no segmento premium.

A diferenciação num mercado mais exigente

Como observa Jorge Pinto Fernandes, «a concorrência nunca foi tão intensa», num contexto em que o consumidor dispõe de uma multiplicidade de opções. Embora factores como a dimensão, o número de lojas ou a capacidade de atracção de determinadas marcas continuem a ser relevantes, já não são, por si só, suficientes para garantir diferenciação num contexto de concorrência crescente e consumidores cada vez mais atentos às suas escolhas.

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Essa exigência reflecte-se na relação com as próprias marcas. Para além de um espaço comercial, as insígnias procuram hoje parceiros que conheçam os seus desafios, compreendam os seus modelos de negócio e contribuam para o seu crescimento. A relação entre operadores e marcas torna-se, assim, mais próxima e estratégica, assente na partilha de conhecimento, na compreensão dos comportamentos de compra e na identificação conjunta de oportunidades.

«Quando analisamos aquilo que leva alguém a escolher um destino em detrimento de outro, encontramos uma combinação muito mais ampla de factores: acessibilidade, qualidade do ambiente, oferta de restauração, conveniência, hospitalidade, conforto, tempo de permanência e consistência da experiência », explica.

Neste contexto, a valorização crescente do tempo surge como outra tendência com impacto significativo na actividade dos espaços comerciais. Hoje, existe uma menor disponibilidade para, segundo o director, «processos complexos, fricções desnecessárias ou para experiências que não entregam valor de forma clara». Há mais oferta, mais informação, mais estímulos e mais alternativas do que nunca, o que torna a atenção um recurso cada vez mais escasso e a diferenciação um desafio permanente.

Outra tendência prende-se com a forma como se observam e segmentam os comportamentos dos consumidores. Em vez de se considerar exclusivamente critérios etários, económicos ou demográficos, verifica-se cada vez mais a existência de «afinidades construídas em torno de interesses, valores e estilos de vida.»

Neste cenário, a diferenciação passa também pela capacidade de criar valor para as marcas. Localizações relevantes, capacidade de atracção, visibilidade e acesso a públicos nacionais e internacionais continuam a ser determinantes, mas a estes juntam-se conhecimento, capacidade de execução e uma visão de longo prazo. Mais do que disponibilizar espaço, os operadores procuram construir relações que permitam compreender os desafios de cada insígnia e contribuir para o crescimento do seu negócio.

Inovar nem sempre significa reinventar

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Jorge Pinto Fernandes afasta-se da ideia de que inovar implica necessariamente disrupção ou reinvenção permanente. Em muitos casos, «inovar significa compreender profundamente aquilo que já funciona, aprender com outros sectores e aplicar esse conhecimento de forma relevante». É uma abordagem mais assente na capacidade de observar, aprender, adaptar, testar, executar e melhorar de forma contínua.

É nesta lógica que a VIA Outlets procura inspiração para além do retalho. Neste sentido, o sector da hotelaria surge como uma referência pela forma como trabalha conceitos como serviço, hospitalidade, operação, apresentação dos espaços e gestão da experiência. Mais do que replicar modelos, o desafio está em identificar boas práticas, adaptá-las à realidade das insígnias, e perceber, através da experimentação, o que pode efectivamente gerar valor.

Esta mesma lógica está presente na utilização cada vez mais sofisticada dos dados como ferramenta de apoio à decisão comercial, compreensão dos padrões de visita e melhoria da eficiência operacional e da experiência do consumidor. O investimento em arquitectura, conforto ou qualidade dos espaços procura não apenas melhorar a experiência, mas traduzir-se em resultados concretos: maior capacidade de atracção, permanência e satisfação dos visitantes, criando melhores condições para o sucesso das marcas presentes.

A inovação passa, por isso, pela capacidade de medir, aprender com os resultados e ajustar continuamente a estratégia. Esta evolução reflecte-se na forma como o desempenho dos outlets é avaliado. Hoje, a análise vai além das métricas tradicionais e considera factores como a frequência de visita, a repetição, o tempo de permanência, a atractividade, a notoriedade, a recomendação e o desempenho das marcas.

«Durante muito tempo falou-se sobretudo de fidelização. Hoje, talvez faça mais sentido falar de vínculo, identificação e relevância», afirma o Business director.

Um futuro em construção

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A VIA Outlets pretende dar continuidade a um percurso iniciado há cerca de uma década, que permitiu transformar os dois activos. Essa transformação, contudo, nunca foi encarada como um projecto com um ponto de chegada: cada etapa concluída abre novas possibilidades, cada investimento cria novas oportunidades e cada melhoria lança o desafio seguinte, reforçando o papel da VIA Outlets no mercado e dos seus activos enquanto plataformas de referência para marcas, parceiros e territórios.

«A nossa ambição passa por continuar a afirmar o Freeport Lisboa Fashion Outlet e o Vila do Conde Porto Fashion Outlet como plataformas de referência para marcas, parceiros, territórios e para todos aqueles que se relacionam connosco, numa lógica simultaneamente B2B e B2C», conclui Jorge Pinto Fernandes.

Este artigo faz parte do Caderno Especial “Grandes Espaços Comerciais”, publicado na edição de Agosto (n.º 245) da Executive Digest.

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