Em 2022, morreram em todo o mundo, devido à Covid-19, cerca de 1,2 milhões de pessoas, enquanto a tuberculose foi responsável pela morte de 1,3 milhões de pessoas, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). Assim, a tuberculose, provocada pela bactéria ‘Mycobacterium tuberculosis’, recuperou o primeiro posto como a doença infeciosa mais mortal.
A tuberculose “é curável, desde que seja diagnosticada precocemente, haja uma intervenção e o regime de tratamentos seja seguido escrupulosamente”, indicou Seyed Hasnain, professor de Ciências da Vida da Universidade Sharda, na Índia, em declarações à publicação ‘Epoch Times’. Então, porque é ainda tão mortal?
A tuberculose é particularmente endémica em oito países – Bangladesh, China, República Democrática do Congo, Índia, Indonésia, Nigéria, Paquistão e Filipinas -, sendo que mais de dois terços dos pacientes a nível mundial são oriundos destes países. Os pontos em comum entre estes países são a superlotação, a pobreza e a desnutrição, referiu Vinod Kumar, diretor do Instituto de Medicina Torácica do Madras Medical College.
A tuberculose é transmitida pelo ar por alguém com uma infeção ativa nos pulmões ou na garganta, que pode ocorrer quando a pessoa tosse, fala ou espirra. As condições de superlotação são frequentemente húmidas, sujas, escuras e mal ventiladas, locais que promovem a persistência da tuberculose, uma vez que as bactérias responsáveis pela doença podem ser mortas pela luz solar: a exposição à luz solar também aumenta a imunidade.
A desnutrição é um substituto da pobreza e é também uma comorbidade com a tuberculose, o que coloca uma pessoa em maior risco de infeção: cerca de 40% dos casos positivos estão associados à desnutrição.
“Quase um terço dos casos permanecem não detetados ou não diagnosticados”, alertou Keertan Dheda, investigador da tuberculose na Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, o que se pode dever a técnicas de diagnóstico inadequadas e dificuldade de acesso aos cuidados. O diagnóstico envolve várias etapas: primeiro, uma revisão do historial médico, um exame físico e uma radiografia dos pulmões. Depois é necessário um teste laboratorial para confirmar o diagnóstico e excluir outras doenças pulmonares.
Nos últimos anos, surgiu uma nova técnica de diagnóstico que analisa o ADN da bactéria, uma tecnologia que se revelou mais precisa e sensível na deteção, sendo que os pacientes recebem o resultado em duas horas. “As tecnologias baseadas no ADN inundaram o mercado, mas, infelizmente, em países com poucos recursos, o elevado custo deste teste torna-se um impedimento”, referiu Hasnain.
O tratamento da tuberculose não resistente envolve um regime de antibióticos de seis meses: o mais comum é a ‘isoniazida INH’, combinada com três outros medicamentos – rifampicina, pirazinamida e etambutol, uma combinação que pode ter efeitos colaterais como fadiga, icterícia, náuseas e fraqueza. É frequente os pacientes abandonarem os tratamentos devido a esses efeitos colaterais ou quando se começam a sentir melhor.
Desde o início da pandemia da Covid-19, o número de casos de tuberculose notificados diminuiu, assim como o número de pacientes inscritos no tratamento. Os especialistas estão preocupados que o declínio se deva ao facto de a pandemia ter impedido os indivíduos de procurarem um diagnóstico. Agora que a Covid-19 avança para a fase endémica, é expectável que os casos de tuberculose continuem a aumentar.
Ao contrário da Covid-19, a doença tem um longo período de incubação e é de progressão lenta, por vezes demorando meses ou anos até se manifestarem os sintomas graves. “Não é tão social e politicamente alarmante como a Covid-19, onde os sintomas se desenvolvem num espaço d dias e um grande número de paciente chega ao hospital com casos graves”, referiu o especialista.














