Médio Oriente: Ultranacionalista Ben-Gvir apresenta plano para retirar habitantes de Gaza

O líder do partido Poder Judaico e ministro da Segurança Nacional, o ultranacionalista Itamar Ben-Gvir, apresentou hoje um plano para promover a retirada de 1,86 milhões de pessoas da Faixa de Gaza em sete anos.

Executive Digest com Lusa

O líder do partido Poder Judaico e ministro da Segurança Nacional, o ultranacionalista Itamar Ben-Gvir, apresentou hoje um plano para promover a retirada de 1,86 milhões de pessoas da Faixa de Gaza em sete anos.

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Na apresentação do plano, a menos de dois meses das eleições legislativas em Israel, Ben-Gvir expressou também o desejo de assumir a pasta da Migração, caso o seu partido se mantenha no governo.

A iniciativa do controverso ministro, que há uma semana se filmou a derrubar um memorial palestiniano na Cisjordânia, surge um dia depois de o seu colega da Defesa, Israel Katz, declarar que o seu país está pronto para retirar a população da Faixa de Gaza “por terra, mar e ar”, logo que os Estados Unidos, país mediador no conflito no enclave palestiniano, deem o seu aval.

Segundo Ben-Gvir, o plano do seu partido de extrema-direita, que apoia o maioritário Likud na atual coligação governamental, inclui a criação de um organismo governamental dedicado, acordos com os países recetores, rotas migratórias regulamentadas e pacotes de assistência aos migrantes.

Prevê ainda compensações para países terceiros e auxílio financeiro para migrantes durante os primeiros 24 meses fora da Faixa de Gaza.

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De acordo com os números apresentados, o Poder Judaico pretende que cerca de 250 mil pessoas abandonem a Faixa de Gaza no primeiro ano, 1,11 milhões em três anos e 1,86 milhões em sete.

O documento estabelece 12 princípios, incluindo a exigência de que cada partida seja aprovada por um país anfitrião, a abertura de um dossiê individual para cada caso, prioridade para famílias inteiras e rotas migratórias diversificadas.

Ben-Gvir estimou o investimento inicial israelita em 10 mil milhões de shekels (quase três mil milhões de euros), com um financiamento adicional até 50 mil milhões de shekels (cerca de 14 mil milhões de euros), condicionado à participação internacional e a acordos celebrados com os países recetores.

Na quarta-feira, o ministro da Defesa disse que Israel está pronto para retirar os habitantes da Faixa de Gaza assim que os Estados Unidos permitirem, não vendo uma solução para o enclave palestiniano “sem esta migração”.

Numa conferência organizada pelo portal de notícias israelita Ynet, Israel Katz observou que o plano de migração em grande escala na Faixa de Gaza foi “apenas congelado” pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, após pressão do mundo árabe, mas nunca saiu de cima da mesa.

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“Continua a ser objeto de discussões, inclusive agora. E julgo que, no final, não há outra solução para benefício de todos. Mas, para que isso aconteça, precisamos dos Estados Unidos, e esse momento chegará”, declarou o ministro do Likud.

Katz considerou que a decisão chegará “quando se tornar claro que o Hamas não está a cumprir os seus compromissos”, no âmbito do roteiro do Conselho da Paz para a Faixa de Gaza sobre a segunda fase do cessar-fogo entre Israel e o grupo islamita palestiniano que governa o território.

Pouco depois do seu regresso à Casa Branca, Donald Trump admitiu em fevereiro de 2025 “assumir o controlo” da Faixa de Gaza e reconstruí-la, transformando-a na nova “Riviera do Médio Oriente”.

Ao mesmo tempo, defendeu o realojamento definitivo da população palestiniana nos países vizinhos, que de imediato rejeitaram a ideia, enquanto a generalidade da comunidade internacional reagia com palavras de condenação.

Nas suas declarações durante a conferência, o ministro da Defesa israelita referiu pesquisas a indicar que “80% [dos habitantes do enclave] querem emigrar”, embora não precise a sua fonte, mas acrescentou que o Hamas “não os deixa sair e não há nenhum país no mundo que os absorva”.

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Israel Katz tem vindo a defender há vários meses esta medida, apresentada como uma emigração voluntária dos habitantes da Faixa de Gaza.

O seu colega das Finanças, Bezalel Smotrich, outro ultranacionalista no governo, chegou a sugerir que fosse alargada aos palestinianos da Cisjordânia e, hoje, surgiu a iniciativa partidária de Ben-Gvir, que diz defender este plano desde o início da guerra.

A generalidade das sondagens para as eleições legislativas, marcadas para 27 de outubro, dá o Likud, do primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, em empate técnico com o Yashar, liderado pelo antigo chefe das forças armadas Gadi Eisenkot, mas nem o bloco dos partidos pró-governamentais nem o da oposição conseguem o controlo dos 120 lugares no Knesset (parlamento).

Ben-Gvir e Bezalel Smotrich recusaram uma coligação eleitoral dos seus partidos de extrema-direita, sugerida por Netanyahu para evitar que a oposição saia vencedora.

O Poder Judaico e o Sionismo Religioso (em aliança com o partido nacionalista Zehut) conseguem eleger entre seis e sete deputados cada, segundo os últimos estudos de opinião, mas enfrentam a concorrência de outras formações da mesma área política que surgiram nas últimas semanas, incluindo a do antigo general Ofer Winter, que elege quatro candidatos.

O destino dos territórios palestinianos ocupados é um dos temas centrais das legislativas em Israel, bem como as circunstâncias dos ataques liderados pelo Hamas há quase três anos no sul de Israel, que desencadearam a guerra na Faixa de Gaza.

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O conflito foi suspenso por um frágil cessar-fogo desde outubro do ano passado, apesar de os dois lados se acusarem mutuamente de sucessivas violações da trégua e não terem chegado a acordo sobre as etapas seguintes do processo de paz.

A proposta do Conselho da Paz para a Faixa de Gaza foi aceite pelo Hamas, mas recusada pelo primeiro-ministro israelita, enquanto não ficar concluído o processo de desarmamento das milícias palestinianas e a desmilitarização do território.

O roteiro da entidade criada pelo Presidente norte-americano previa também a retirada gradual de Israel e a criação de um órgão tecnocrático palestiniano para gerir o território, a par do destacamento de uma força internacional de estabilização.

A guerra foi desencadeada pelos ataques liderados pelo Hamas em 07 de outubro de 2023 no sul de Israel, nos quais morreram cerca de 1.200 pessoas e 251 foram feitas reféns.

Em retaliação, Israel lançou uma operação militar em grande escala no enclave, que provocou mais de 73 mil mortos, segundo as autoridades locais controladas pelo Hamas, um desastre humanitário, a destruição de quase todas as infraestruturas do território e a deslocação de centenas de milhares de pessoas.

Desde o início do atual cessar-fogo, as autoridades da Faixa de Gaza contabilizam mais de 1.300 palestinianos mortos em ataques israelitas.

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