Páscoa com menos doces? Subida histórica nos preços do cacau e do açúcar pressiona setor e pode deixar mesas mais vazias

Uma análise da XTB, corretora internacional especializada em mercados financeiros, indica que os preços do cacau e do açúcar — dois ingredientes essenciais para os tradicionais doces pascais — têm registado oscilações significativas que podem afetar diretamente o preço final dos produtos alimentares.

Executive Digest

A Páscoa de 2025 poderá trazer menos doçura às mesas dos consumidores, não apenas de forma simbólica, mas também económica. Uma análise da XTB, corretora internacional especializada em mercados financeiros, indica que os preços do cacau e do açúcar — dois ingredientes essenciais para os tradicionais doces pascais — têm registado oscilações significativas que podem afetar diretamente o preço final dos produtos alimentares.

Nos últimos três anos, os preços do cacau atingiram máximos históricos, impulsionados por uma combinação de fatores estruturais e conjunturais. A análise da XTB destaca que “as variações sazonais, as expectativas de oferta e procura, as posições especulativas dos investidores e o enquadramento macroeconómico” têm um papel decisivo na formação dos preços desta matéria-prima.

Cultivado sobretudo na África Ocidental, o cacau enfrenta riscos acrescidos relacionados com instabilidade política, pragas agrícolas e fenómenos climáticos extremos. Além disso, a procura por parte da indústria alimentar global tem aumentado, o que adiciona uma pressão adicional sobre o mercado.

Segundo a XTB, o cacau foi a matéria-prima com melhor desempenho em 2024, superando até ativos tradicionalmente fortes como o café e o ouro. No entanto, em 2025, essa tendência inverteu-se, com os preços a darem sinais de abrandamento. Ainda assim, os analistas da corretora sublinham que “correções de preços são normais após uma valorização tão intensa” como a registada no último ano.

Recentemente, os preços voltaram a subir na sequência da suspensão das tarifas de importação de cacau nos Estados Unidos, uma medida que pretendeu reduzir os custos para os compradores e estimular o consumo interno. Apesar disso, a XTB alerta que a produção global está a baixar, precisamente devido ao aumento dos custos, o que pode levar a uma revisão em baixa das projeções de procura de longo prazo.

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No mercado de futuros, a curva de preços tornou-se mais negativa em comparação com o mês anterior, o que, segundo a XTB, poderá indicar uma procura mais imediata ou expectativas de maior oferta futura. No entanto, o cenário continua incerto, sobretudo para os próximos dois a três meses.

Já no caso do açúcar, os preços têm apresentado uma trajetória mais estável desde 2023, embora com uma subida acumulada de cerca de 2% em 2025. A XTB explica que os fundamentos deste mercado são mais previsíveis, mas alerta para a influência de fatores como o clima, subsídios governamentais e a ligação ao mercado de biocombustíveis.

A produção de açúcar está concentrada em países como o Brasil e a Índia, e o seu preço pode ser altamente sensível às flutuações do petróleo. Quando este sobe, torna-se mais rentável para os produtores desviar a cana-de-açúcar para a produção de etanol, o que reduz a oferta de açúcar no mercado e faz subir o preço da matéria-prima.

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Apesar da recente subida, a análise da XTB considera que os movimentos de preços estão alinhados com os padrões sazonais normais, sem grandes disrupções previstas para o curto prazo.

Com a aproximação da Páscoa, os consumidores poderão sentir este impacto na carteira. Os chocolates, sobremesas e outros produtos que dependem fortemente de cacau e açúcar poderão sofrer aumentos de preço, refletindo a pressão nos custos de produção.

A XTB conclui que, apesar de alguma correção esperada no valor do cacau, “o contexto atual continua altamente volátil”, e a tendência de subida de preços no setor alimentar poderá manter-se, sobretudo se as condições climáticas e geopolíticas não melhorarem nos principais países produtores.

Com este cenário, a Páscoa de 2025 poderá ser não só menos doce, mas também mais cara para os consumidores portugueses e europeus em geral.

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