NASA recorda hoje os 40 anos da tragédia do vaivém espacial Challenger

A NASA assinala esta quarta-feira, o 40.º aniversário da explosão do vaivém espacial norte-americano Challenger, uma das maiores tragédias da história da exploração espacial, que vitimou os sete tripulantes a bordo poucos segundos após a descolagem do Centro Espacial Kennedy, na Florida.

Pedro Zagacho Gonçalves

A NASA assinala esta quarta-feira, o 40.º aniversário da explosão do vaivém espacial norte-americano Challenger, uma das maiores tragédias da história da exploração espacial, que vitimou os sete tripulantes a bordo poucos segundos após a descolagem do Centro Espacial Kennedy, na Florida.

Na manhã de 28 de janeiro de 1986, o Challenger partiu para a sua décima missão espacial a partir da plataforma 39B, num dia marcado por temperaturas excecionalmente baixas. Cerca de um minuto após o lançamento, o vaivém explodiu e desintegrou-se no ar, matando todos os membros da tripulação.

Entre as vítimas encontrava-se Christa McAuliffe, professora de estudos sociais do New Hampshire, selecionada no âmbito do mediático programa “Teacher in Space”, que a tornaria no primeiro “passageiro comum” a viajar para o espaço, despertando a atenção de milhões de estudantes em todo o país.

Explosão 73 segundos após a descolagem chocou o país
O lançamento, atrasado durante cerca de duas horas devido à presença de gelo e temperaturas negativas na plataforma, decorreu às 11h38 locais. Alimentado por cerca de 500 mil galões de hidrogénio e oxigénio líquidos e por dois propulsores de combustível sólido, o vaivém ganhou rapidamente altitude.

Mas 73 segundos depois do arranque, uma fuga num dos propulsores provocou a ignição do depósito principal de combustível. O Challenger explodiu e fragmentou-se nos céus do centro-leste da Florida, perante milhares de espectadores e uma audiência televisiva em direto.

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“Oh não! Oh meu Deus! Não consigo olhar”, gritaram algumas pessoas no local, enquanto um comentador da NASA na transmissão oficial anunciava: “Obviamente, uma grande avaria”.

No Centro Espacial Johnson, em Houston, o controlo da missão recebeu ordens imediatas para preservar todos os dados. A bandeira norte-americana junto às bancadas de observação foi colocada a meia-haste e o então vice-presidente dos Estados Unidos, George Bush, deslocou-se ao Centro Espacial Kennedy para prestar apoio às famílias das vítimas.

Investigação apontou falha nos anéis de vedação
Após meses de investigação, a NASA concluiu que a tragédia foi causada pela falha de dois anéis sintéticos de borracha — conhecidos como O-rings — localizados na parte inferior do propulsor sólido direito. As condições de frio extremo comprometeram a eficácia destes componentes, levando à falha estrutural que desencadeou a explosão.

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Na sequência do acidente, os voos espaciais tripulados norte-americanos foram suspensos durante dois anos. Só a 29 de setembro de 1988 é que o vaivém Discovery voltou a colocar astronautas dos Estados Unidos em órbita.

Judy Resnik lembrada 40 anos depois
Entre os sete tripulantes que morreram estava Judy Resnik, a segunda mulher norte-americana a viajar para o espaço, com apenas 36 anos. Quatro décadas depois, a sua memória continua viva para quem com ela privou.

Kandice Seiberling, amiga de infância de Resnik, recordou o choque de ver a explosão em direto pela televisão, depois de ter planeado viajar para a Florida para assistir ao lançamento. “O que se viu foi algo terrivelmente errado. Mas a mente não aceita isso de imediato. É como pensar: ‘Isto não pode ter explodido’”, recordou.

No domingo passado, Seiberling depositou um ramo de flores junto à placa com o nome da astronauta, durante a cerimónia anual em memória dos astronautas, realizada no Sand Point Park, em Titusville. “Ela era brilhante. E também bonita. Tenho muito orgulho em ter sido sua amiga. E lamento profundamente que tenha partido”, afirmou.

Cerimónias recordam 17 astronautas mortos em missões espaciais
A cerimónia anual homenageia os 17 astronautas que perderam a vida nas tragédias do programa espacial norte-americano: Apollo 1, Challenger e Columbia. O memorial, localizado numa praça octogonal construída poucos meses após o desastre de 1986, foi inaugurado no Dia da Bandeira, em junho desse ano.

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Durante a cerimónia, estudantes colocaram flores e uma maçã junto à placa com o nome de Christa McAuliffe, símbolo do ideal educativo que marcou a missão STS-51L.

A astronauta reformada Jan Davis, oradora convidada, recordou que “estes homens e mulheres eram mais do que astronautas”. “Eram exploradores no sentido mais puro: cientistas, professores, engenheiros, militares, sonhadores, unidos pela convicção de que a humanidade deve ir além do que é conhecido”, afirmou. “Aceitaram riscos extraordinários ao serviço de descobertas extraordinárias, plenamente conscientes de que o espaço sempre foi perigoso”.

Aniversário coincide com nova era da exploração lunar
O 40.º aniversário da tragédia do Challenger ocorre num momento em que a NASA se prepara para uma nova fase da exploração espacial tripulada. A poucos quilómetros da plataforma de onde partiu o vaivém em 1986, encontra-se agora um novo foguetão destinado à missão Artemis II.

“Hoje, a apenas 11 milhas daqui, a partir da mesma plataforma onde o Challenger iniciou a sua viagem, está outro poderoso foguetão”, afirmou Steve Agid, comunicador do complexo de visitantes do Centro Espacial Kennedy. “Dentro de dias, iniciará uma viagem à Lua com uma tripulação de quatro pessoas. A primeira em mais de 50 anos.”

Para Agid, “não há melhor tributo à tripulação do Challenger do que lembrar que, embora o vaivém e os seus astronautas já não estejam entre nós, os seus desafios permanecem”.

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