O vírus Monkeypox (varíola dos macacos) mantém a sua tendência de aumento em quase toda a Europa cinco semanas após o alerta internacional, que revelou o maior surto desta doença registado fora das áreas endémicas da África.
Com mais de dois mil casos confirmados em 28 países do continente, as cadeias de contágio continuam descontroladas nas três capitais que foram atingidas pela primeira vez pelo vírus – Londres, Madrid e Lisboa – escreve hoje o ‘El País’.
Para além destas, adianta o jornal espanhol, a circulação do vírus está a acelerar em outras duas grandes cidades, Berlim e Paris , e também em países densamente povoados como Bélgica, Países Baixos e Itália.
Espanha (688 casos notificados) e Reino Unido (574) são os países com mais diagnósticos. Portugal soma 297 infeções e a Alemanha tem sido o país onde mais casos cresceram nos últimos dias e já ultrapassam os 400.
Em França, os casos passaram de 91 para 183 numa semana, na Holanda de 60 para 95, na Bélgica de 24 para 62, em Itália de 31 para 71 e na Suíça de 14 a 40, segundo o ‘El País.
O vírus avança nas grandes capitais europeias, com Madrid (510 casos), Londres (459), Berlim (250), Lisboa (235) e Paris (129) como as cidades mais afetadas. Fora da Europa, o Canadá é o país com mais casos desde o início do surto (168). Nos Estados Unidos, o número de diagnósticos ultrapassou os 100.
Trata-se de uma doença zoonótica cujo reservatório está em ratos da África central e ocidental. A partir destes, através de fluidos, o vírus passa esporadicamente para o ser humano e inicia cadeias de transmissão que até então eram limitadas.
A principal novidade do surto atual é a transmissão sustentada do vírus entre homens que fazem sexo com outros homens, grupo que responde por mais de 98% dos casos confirmados.
A doença não é considerada sexualmente transmissível, embora existam várias linhas de pesquisa que começam a apontar para essa possibilidade. Um estudo realizado em Itália encontrou o vírus no sémen dos quatro primeiros casos diagnosticados no país.
Carlos Maluquer de Motes, professor de virologia molecular da Universidade de Surrey (Reino Unido) e especialista em poxvírus, refere, em declarações ao jornal espanhol, que “será complexo erradicar este surto”.
“O vírus atingiu muitos países, a circulação continua a crescer e os sistemas de deteção e rastreamento são limitados. Os casos confirmados são de pessoas que vão aos centros de saúde porque detetaram lesões, mas nem todos o fazem pelo estigma social que existe”, acrescenta.
Estudos e comunicações recentes feitos no Reino Unido, Portugal e França alertaram que muitos dos casos confirmados não conseguem identificar os seus contactos de risco porque tiveram relações com pessoas desconhecidas ou recusaram-se a fornecer dados sobre elas.
“Pelo menos há algo positivo no que sabemos até agora. Existem muito poucos contágios fora das práticas de risco e isso significa que o vírus não se adaptou a outras formas de transmissão. Isso explica porque o aumento de casos é sustentado, mas não exponencial”, afirma Maluquer, citado pelo ‘El País.












