Por Thomas Marra, Country General Manager da Gi Group Holding em Portugal
A forma como trabalhamos está em transformação. Já não basta falar de digitalização ou de novos modelos de gestão — o verdadeiro desafio é perceber como vamos organizar o trabalho de forma sustentável, humana e competitiva. A questão não é apenas onde trabalhamos, mas com quem trabalhamos e com que objetivo.
Em Portugal, os números mostram que a mudança é estrutural. De acordo com dados do Instituto Nacional de Estatística, só em 2024 mais de um milhão de pessoas trabalhou a partir de casa, o equivalente a 21,5% da população empregada. O teletrabalho deixou de ser uma solução de emergência para se tornar uma realidade estável. Mas este dado não deve ser lido de forma simplista. O teletrabalho trouxe ganhos em autonomia e equilíbrio, mas também expôs riscos: a fragmentação das equipas, a dificuldade em criar cultura e a solidão laboral.
É precisamente neste ponto que os escritórios assumem uma nova relevância. Se antes eram vistos como locais de execução, hoje são espaços de encontro. O digital responde à necessidade de eficiência, mas é no contacto físico que se reforçam relações, se constrói confiança e se alimenta a criatividade. Espaços de trabalho que promovem colaboração e inovação tornam-se determinantes para atrair e reter talento qualificado, pois profissionais especializados procuram ambientes que inspiram aprendizagem, troca de ideias e desenvolvimento contínuo. Por isso, longe de perderem importância, os escritórios transformam-se em peças centrais do trabalho híbrido, isto é, lugares onde as equipas se encontram para inovar e dar sentido comum ao que fazem.
A criação de novos espaços de trabalho não é um luxo: é uma ferramenta estratégica para manter profissionais motivados, promover a criatividade interna e reforçar a competitividade das empresas e do país. Por isso, quando falamos do futuro do trabalho, não falamos apenas de tecnologia ou de escritórios mais agradáveis. Falamos de estratégia económica e social. O modo como criamos os espaços, as culturas organizacionais e as políticas de bem-estar têm impacto direto na produtividade, na inovação e na capacidade do país se afirmar no mercado global.
É com esta visão que, este mês, a Gi Group Holding inaugura o novo escritório no Oriente Green Campus, em Lisboa. Mais do que uma nova morada, é um exemplo real desta convicção: que o trabalho precisa de espaços que juntem pessoas, que inspirem criatividade e que reforcem propósito.
Setembro é um mês de recomeços. O nosso faz-se com uma nova morada e a mesma paixão pelo que fazemos. Mas este recomeço não é apenas meu ou da Gi Group — é um convite a todos para refletirmos sobre como queremos construir o trabalho do futuro em Portugal: mais flexível, colaborativo, inovador e, acima de tudo, mais significativo.




