Letónia abandona convenção sobre minas terrestres com medo da Rússia

A Letónia é o primeiro dos Estados bálticos a retirar-se da Convenção de Otava, segundo o portal noticioso da televisão pública, da rádio e dos serviços em linha do país, Lsm.lv

Executive Digest com Lusa

O Parlamento da Letónia aprovou hoje a retirada do país da convenção internacional sobre a proibição de minas terrestres antipessoal, invocando a necessidade de reforçar a segurança no contexto da invasão russa da Ucrânia.

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“A retirada da Convenção de Otava dará às nossas forças armadas espaço de manobra em caso de ameaça militar”, afirmou a presidente da comissão parlamentar dos assuntos externos, Inara Murniece, num comunicado após a votação.

A medida permitirá aos militares “utilizar todos os meios possíveis para defender os nossos cidadãos”, acrescentou, citada pela agência de notícias France-Presse (AFP).

A Letónia é o primeiro dos Estados bálticos a retirar-se da Convenção de Otava, segundo o portal noticioso da televisão pública, da rádio e dos serviços em linha do país, Lsm.lv.

A decisão tornar-se-á oficial seis meses depois de a Organização das Nações Unidas (ONU) ter recebido o documento de retirada.

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O Parlamento examinou o projeto de lei com caráter de urgência.

A decisão foi aprovada por 66 votos a favor, 14 contra e duas abstenções.

A razão da decisão é a situação de segurança na região do Báltico, que se alterou significativamente em comparação com a de há 20 anos, quando o país aderiu à convenção.

“A agressão da Rússia na Ucrânia demonstrou claramente que o agressor não respeita as fronteiras territoriais dos Estados soberanos e o direito internacional, incluindo os princípios consagrados na Carta das Nações Unidas”, lê-se no projeto de lei.

Em março, a Polónia e os três Estados bálticos (Lituânia, Letónia e Estónia) declararam que teriam de abandonar a convenção por razões de segurança, seguidos pela Finlândia.

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A decisão dos cinco países deixa a Noruega como o único país da NATO que faz fronteira com a Rússia e que ainda faz parte do tratado.

Em 02 de abril, Oslo declarou que não renunciaria à convenção e criticou a Finlândia pela decisão.

A Convenção de Otava de 1997 proíbe a utilização, armazenamento, produção e transferência de minas antipessoal, tendo sido ratificada por mais de 160 países.

A Rússia, os Estados Unidos e a China não aderiram à convenção.

As minas antipessoais, colocadas manualmente ou dispersas por foguetes ou projéteis, são utilizadas para dissuadir os adversários ou a população de aceder a determinadas zonas.

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Quando detonadas sobre ou perto de uma pessoa, podem matar ou causar ferimentos graves.

As minas permanecem frequentemente ativas após um conflito, impedindo as pessoas de regressar aos locais, e a desativação pode demorar anos e tem custos elevados.

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