Kiev tem mísseis desconhecidos capazes de atingir 500 km e testar novos limites

Ucrânia poderá estar a desenvolver capacidades militares muito além do que tem sido publicamente conhecido

Francisco Laranjeira

A Ucrânia poderá estar a desenvolver capacidades militares muito além do que tem sido publicamente conhecido. Revelações recentes apontam para o uso de mísseis balísticos até agora desconhecidos, com alcance de cerca de 500 quilómetros, e para a realização de testes que incluem lançamentos em altitude e até experiências com potencial aplicação espacial.

As informações foram avançadas pelo ‘Defense Express’, com base numa entrevista concedida pelo deputado ucraniano Fedir Venislavsky ao ‘RBC-Ukraine’, na qual são detalhados desenvolvimentos até agora não divulgados no programa de mísseis do país.

Segundo Venislavsky, unidades da inteligência militar ucraniana terão realizado pelo menos dois lançamentos de um vetor a partir de território nacional durante a guerra. O primeiro terá atingido mais de 100 quilómetros de altitude e o segundo cerca de 204 quilómetros — valores que entram já na fronteira do espaço. O responsável sublinhou que estas operações foram realizadas em contexto de combate, sugerindo que não se tratou de simples testes técnicos.

A interpretação avançada pelo ‘Defense Express’ aponta para o uso de mísseis balísticos capazes de atingir alvos a longa distância, sendo a altitude alcançada uma consequência do perfil de voo e não o objetivo principal. O mesmo responsável indicou ainda que a Ucrânia dispõe de sistemas “que quase ninguém conhece”, capazes de atingir território inimigo a distâncias até 500 quilómetros e a velocidades superiores a Mach 5.

Ainda assim, o ‘Defense Express’ alerta que a referência a velocidades hipersónicas não implica necessariamente o desenvolvimento de armas hipersónicas avançadas, já que mísseis balísticos desta classe atingem naturalmente esse tipo de velocidade durante a trajetória.

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Outro dos elementos revelados prende-se com um teste realizado a partir do ar. De acordo com Venislavsky, a Ucrânia terá efetuado o lançamento de um vetor a partir de uma aeronave de transporte a cerca de 8.000 metros de altitude. Este tipo de abordagem permite ultrapassar a fase inicial mais exigente do voo, reduzindo a resistência atmosférica e potencialmente aumentando o alcance dos sistemas.

Este conceito não é inédito. Os Estados Unidos realizaram experiências semelhantes já na década de 1970, incluindo o lançamento de um míssil balístico a partir de uma aeronave militar. Ainda assim, a sua aplicação prática continua a ser limitada pelas capacidades do avião que transporta o sistema.

Apesar destas revelações, permanecem várias incógnitas. Não são conhecidos os alvos, os resultados operacionais destes lançamentos nem o grau de maturidade destes sistemas. Também não é claro o número de mísseis disponíveis, sendo provável que estas capacidades existam ainda em quantidades reduzidas.

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Num contexto de guerra prolongada e de crescente aposta em tecnologia própria, estes sinais sugerem que a Ucrânia poderá estar a acelerar o desenvolvimento de capacidades estratégicas, combinando mísseis de longo alcance com soluções inovadoras — incluindo aplicações com potencial ligação ao espaço.

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