Hoje é a terrível ‘Blue Monday’: como lidar com o “dia mais triste do ano”?

Cátia Silva, Psicóloga Clínica especializada em Ansiedade, Depressão, Autoestima, Luto, Burnout e PHDA, refere que, apesar da ausência de evidência científica, a adesão emocional a esta ideia não acontece por acaso

Executive Digest

A terceira segunda feira de janeiro ficou conhecida como Blue Monday por ser, supostamente, “o dia mais triste do ano”. No entanto, este conceito, que surgiu no contexto publicitário e foi amplamente disseminado pelos media, acabando por se transformar num fenómeno cultural repetido ano após ano, não tem uma base científica.

Escolha a Executive Digest como fonte preferida no Google Escolher ›

Cátia Silva, Psicóloga Clínica especializada em Ansiedade, Depressão, Autoestima, Luto, Burnout e PHDA, refere que, apesar da ausência de evidência científica, a adesão emocional a esta ideia não acontece por acaso: “Janeiro concentra vários fatores que afetam o bem-estar psicológico de muitas pessoas: cansaço acumulado, pressão financeira, regresso à rotina após as festas e expectativas elevadas associadas ao início de um novo ano. Mais do que perpetuar um mito, a Blue Monday pode ser usada de forma responsável como um ponto de partida para falar de saúde mental e promover estratégias práticas de autocuidado, ajustadas à realidade do dia a dia”.

A psicóloga deixa por isso a sugestão de algumas estratégias, que podem ajudar a combater o estado mais “depressivo” que pode surgir nesta altura do ano.

Estratégias práticas para proteger o bem-estar nesta fase do ano

Ajustar expectativas

Continue a ler após a publicidade

O início do ano não exige mudanças radicais. Expectativas irreais aumentam a frustração e a sensação de falha. Objetivos pequenos, concretos e progressivos têm maior impacto psicológico.

Priorizar o sono

A privação de sono agrava sintomas de ansiedade, irritabilidade e humor depressivo. Horários regulares e redução de estímulos noturnos devem ser vistos como cuidados de saúde essenciais.

Manter rotinas simples e previsíveis

A previsibilidade diária ajuda o sistema nervoso a regular-se. As rotinas básicas oferecem estabilidade emocional, sobretudo em períodos de maior exigência interna.

Continue a ler após a publicidade

Reduzir comparação e consumo digital

Discursos constantes de produtividade e sucesso intensificam sentimentos de inadequação. Limitar a exposição às redes sociais funciona como estratégia preventiva de saúde mental.

Apoiar a mente através do corpo

Alimentação regular, hidratação adequada e movimento leve contribuem para maior equilíbrio emocional. Não se trata de desempenho físico, mas de regulação fisiológica.

Falar sobre o que se sente

Continue a ler após a publicidade

Partilhar que sente cansaço, falta de motivação ou ansiedade reduz o isolamento emocional. Silenciar emoções prolonga o sofrimento e aumenta o risco de agravamento.

Procurar apoio quando os sinais persistem

Tristeza contínua, apatia, ansiedade intensa ou irritabilidade prolongada não devem ser normalizadas como “fase” ou “mês difícil”. A intervenção precoce faz a diferença.

Cátia Silva reforça que a Blue Monday não provoca tristeza, nem determina os estados emocionais de uma pessoa. No entanto, a forma como este fenómeno ganhou espaço no discurso público revela que muitas pessoas vivem em sobrecarga emocional e sem espaço para a reconhecer.

“Mais do que dar atenção a um dia simbólico, importa aprender a escutar sinais de cansaço, ajustar expectativas e cuidar da saúde mental de forma contínua. A prevenção não acontece num único dia do ano. Acontece quando o bem-estar psicológico passa a ser tratado como uma prioridade, e não como um extra” conclui Cátia Silva.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.