Quando perderam grande parte do financiamento que mantinha viva uma investigação científica com décadas de história, um grupo de investigadores da Universidade da Califórnia, em Los Angeles (UCLA), decidiu procurar ajuda onde quase ninguém esperaria: o OnlyFans.
Segundo o ‘Unilad Tech’, nasceu assim o “OnlyMarms”, uma conta na popular plataforma de subscrição onde, em vez de conteúdos para adultos, os seguidores encontram fotografias, vídeos e atualizações sobre… marmotas.
A ideia surgiu depois de um importante corte no financiamento de um projeto que acompanha estes pequenos roedores desde 2001. Na realidade, as observações científicas remontam ainda mais longe: começaram em 1962 e deram origem a uma das mais longas investigações do mundo sobre o comportamento desta espécie.
Ao longo de mais de seis décadas, os investigadores estudaram as relações sociais entre as marmotas, a forma como comunicam, as diferenças de personalidade entre indivíduos e até a forma como respondem às alterações ambientais ao longo de várias gerações.
Durante muitos anos, o projeto foi financiado pela Fundação Nacional para a Ciência dos Estados Unidos. Mas o pedido para renovar o apoio durante mais uma década acabou por ser recusado, deixando em risco a continuidade da investigação.
Foi então que surgiu a ideia de criar uma página no OnlyFans. Daniel Blumstein, professor de Ecologia e Biologia Evolutiva da UCLA e responsável pelo projeto, fez questão de esclarecer que o objetivo nunca foi explorar a reputação da plataforma.
“Vai ser totalmente apropriado para todas as idades. Não vamos sexualizar nada. Queremos apenas divertir-nos a partilhar aquilo que fazemos”, explicou ao ‘The New York Times’.
Quem paga uma subscrição mensal pode acompanhar o dia a dia de marmotas com nomes como Staple, Pawprint ou Cabinet e, se quiser, deixar gorjetas que ajudam a financiar o trabalho de campo.
A estudante de mestrado Emily Renkey, que gere a conta, diz que a maioria das pessoas contribui com cerca de 10 dólares (cerca de 8,7 euros), um sinal de que existe interesse pelo projeto e pela ciência que está por detrás dele.
Apesar da originalidade da iniciativa, os resultados financeiros continuam longe do necessário. Até agora, o dinheiro angariado representa apenas algumas centenas de dólares, o suficiente para comprar o isco utilizado para atrair as marmotas e permitir a sua observação em segurança.
Ainda assim, os investigadores não desistem. Enquanto procuram novas formas de financiamento, esperam que a história ajude a chamar a atenção para um problema maior: a dificuldade crescente em garantir apoio para projetos científicos de longo prazo, mesmo quando acumulam mais de 60 anos de conhecimento sobre o mundo natural.














