Enquanto milhares de bombeiros combatem incêndios florestais um pouco por toda a Europa, existe uma ameaça muito menos visível do que as chamas: o fumo. Transportadas pelo vento, as partículas libertadas pelos incêndios podem percorrer centenas ou mesmo milhares de quilómetros, degradando a qualidade do ar muito longe da origem dos fogos.
Para acompanhar esse fenómeno, o programa europeu Copernicus lançou uma nova plataforma interativa que permite seguir, praticamente em tempo real, a evolução das emissões dos incêndios e a deslocação das plumas de fumo.
O sistema, denominado Fire Emissions Watch, utiliza dados de satélite para mostrar diariamente a quantidade de carbono libertada pelos incêndios, a concentração de aerossóis na atmosfera e a previsão da deslocação do fumo.
Além de permitir acompanhar a situação atual, a plataforma possibilita revisitar alguns dos maiores incêndios registados desde 2003, incluindo a onda de calor europeia desse ano, os incêndios na Amazónia em 2019 ou a época recorde de fogos no Canadá em 2023.
Um verão marcado pelo fogo
O lançamento da ferramenta coincide com um dos verões mais difíceis dos últimos anos para vários países europeus.
Segundo o Serviço de Monitorização da Atmosfera do Copernicus (CAMS), França já registou este ano o maior volume de emissões provenientes de incêndios desde que existem registos, ultrapassando o anterior máximo de 2022. Só durante o mês de julho foram libertadas cerca de 0,89 megatoneladas de carbono.
Também Espanha, Portugal, Itália e Grécia enfrentaram sucessivos incêndios de grande dimensão, num verão marcado por temperaturas elevadas e condições extremamente favoráveis à propagação das chamas.
Os cientistas alertam que, embora a Europa registe atualmente menos incêndios do que há quatro décadas, aqueles que deflagram tendem a ocorrer em condições meteorológicas muito mais extremas, tornando-se mais difíceis de controlar e potencialmente mais destrutivos.
O perigo que não se vê
O maior risco nem sempre está nas chamas.
O fumo dos incêndios contém partículas ultrafinas e diversos gases potencialmente nocivos que conseguem penetrar profundamente nos pulmões e entrar na corrente sanguínea.
Essas partículas podem provocar inflamação, agravar doenças respiratórias, aumentar o risco cardiovascular e afetar mesmo pessoas que vivem muito longe das áreas atingidas pelo fogo.
Segundo especialistas citados pelo Daily Mail, quanto menores forem essas partículas, maior é a capacidade de entrarem no organismo.
Como reduzir a exposição
Quando a qualidade do ar é afetada pelo fumo dos incêndios, os especialistas aconselham a reduzir o tempo passado no exterior, manter portas e janelas fechadas e acompanhar os avisos sobre a qualidade do ar.
Se for inevitável permanecer no exterior durante episódios de elevada concentração de partículas, a utilização de uma máscara bem ajustada poderá ajudar a reduzir a quantidade de poluentes inalados.
A nova plataforma do Copernicus permite precisamente acompanhar essa evolução, ajudando os utilizadores a perceber se a pluma de fumo proveniente de um incêndio poderá afetar a região onde vivem ou onde estão de férias.
Para Portugal, onde os episódios de incêndios severos se tornaram mais frequentes nos últimos verões, a ferramenta pode revelar-se particularmente útil para acompanhar um dos efeitos menos visíveis — mas potencialmente mais perigosos — das grandes vagas de fogo.



















