A perdiz-das-neves, também conhecida como perdiz-alpina, e o tetraz-grande, duas aves de montanha em “declínio preocupante” devido, nomeadamente, às alterações climáticas, foram hoje adicionadas à lista de aves protegidas em França.
Desde 2009 que nenhuma nova espécie era adicionada a esta lista, que conta com mais de 250 aves, cuja destruição, captura ou remoção são proibidas.
Os ovos e ninhos das duas aves, bem como os locais de reprodução e áreas de repouso, também não podem ser destruídos, alterados ou degradados, de acordo com o decreto publicado hoje no jornal oficial francês.
“O tetraz-grande e a perdiz-das-neves são espécies emblemáticas das nossas florestas de montanha, que enfrentam hoje um declínio preocupante”, defendeu a ministra da Transição Ecológica, Monique Barbut, num comunicado.
O estatuto de espécie protegida torna “o financiamento mais fácil, sobretudo a nível europeu, e permite-nos elaborar um verdadeiro plano de proteção para os próximos 10 anos”, afirmou ainda Barbut ao diário ‘La Dépêche’ na segunda-feira, hoje citado pela France Presse.
“A ideia é estabilizar as populações, ou mesmo esperar uma recuperação, embora isso continue a ser difícil”, acrescentou a governante.
“Um pequeno passo para a administração, um grande passo para a proteção da natureza”, comentou o presidente da Liga francesa para a Proteção das Aves (LPO), Allain Bougrain-Dubourg, em declarações à AFP.
A perdiz-das-neves e o tetraz-grande sofrem fortemente as consequências do aquecimento global, que reduz progressivamente o seu habitat, a que se acrescentam perturbações relacionadas com as atividades humanas nas montanhas e a artificialização dos ambientes.
Segundo a LPO, a perdiz-das-neves “só subsiste em França nos Alpes e nos Pirenéus, sob a forma de populações isoladas e frágeis”.
Quanto ao tetraz-grande, a maior ave selvagem da Europa, o seu declínio em França tem sido muito forte, com as populações a registarem uma queda de quase 80% desde 1960 nos Pirenéus, onde a espécie subsiste hoje apenas sob a forma de populações pequenas, com alguns núcleos residuais no Jura e nos Vosges, indica a LPO.
Um plano de reintrodução foi iniciado na região dos Vosges em 2024, mas foi descontinuado, devido à morte de quase todos os indivíduos reintroduzidos.













