Um dos alvos de uma investigação da justiça alemã a três pessoas por suspeita de serem espiões da China é um ex-diplomata alemão, que chegou a ser embaixador da União Europeia (UE) na Coreia do Sul e já tinha sido afastado do cargo depois de lhe ter sido retirada a sua habilitação de segurança (security clearance, em inglês).
Terá sido a partir do final da sua carreira na Europa, em 2017, que entrou numa empresa de lobby para grandes empresas e passou a transmitir informações confidenciais aos serviços secretos chineses. É também suspeito de recrutar outras duas pessoas para ajudá-lo: uma delas foi à China para encontrar-se com os destinatários das informações, enquanto a segunda terá apenas demonstrado vontade de ajudar na partilha de informações, revela o jornal alemão “Der Spiegel”.
Segundo o “Politico”, que cita fonte próxima do caso, as autoridades alemãs ainda não revelaram a identidade do ex-diplomata nem efectuaram detenções. A mesma fonte garante que o alemão nega veementemente as acusações contra si.
Contactado, o Serviço Europeu para a Ação Externa (SEAE) adiantou que se trata de um antigo trabalhador do SEAE, reformado desde 2017, que trabalhou como embaixador da União Europeia na Coreia do Sul a partir de Setembro de 2015. Todavia, terá sido afastado do cargo que ocupava.
Dois diplomatas e um funcionário da Comissão Europeia, que falaram ao “Politico”, sob a condição de anonimato, disseram que o diplomata foi afastado devido a ligações com a China, embora tenham prestado diferentes relatos sobre a natureza dessas relações.
O jornal lembra que a investigação trouxe à tona preocupações de longa data sobre a segurança operacional da UE. As «repercussões são enormes», admitiu um antigo funcionário dos serviços secretos de um Estado-membro da UE.
Recorde-se que este caso surge numa altura em que o grupo chinês de telecomunicações Huawei é acusado pelos Estados Unidos de fazer espionagem em nome de Pequim.







