Os professores têm apenas até esta quinta-feira para concluir as reapreciações da primeira fase dos exames nacionais, mas o movimento Missão Escola Pública (MEP) considera ser “praticamente impossível” que todos os mais de 20 mil pedidos estejam concluídos a tempo da divulgação dos resultados, prevista para sexta-feira.
O alerta surge depois de vários docentes terem sido convocados nos últimos dias para realizar reapreciações, apesar de o prazo inicialmente previsto para terminar este trabalho ter sido terça-feira. Segundo o MEP, alguns professores receberam autorização para concluir as avaliações apenas esta quinta-feira.
“Durante o fim de semana e nos últimos dias apercebemo-nos de que ainda estão a ser convocados professores para reapreciações”, afirmou à Lusa Cristina Mota, porta-voz do movimento.
Na segunda-feira, o ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre, afirmou no Parlamento que mais de 50% das reapreciações já estavam concluídas. No entanto, o MEP acredita que dificilmente será possível concluir a totalidade do processo antes da publicação das pautas.
“Será praticamente impossível termos a totalidade das reapreciações na sexta-feira”, antecipou Cristina Mota.
Além do elevado número de pedidos — mais de 20 mil, cerca do triplo do registado no ano passado —, os professores continuam a relatar problemas na plataforma e falhas na documentação necessária para analisar os exames.
Segundo o movimento, há casos em que os relatores não receberam a alegação apresentada pelo aluno para justificar o pedido de reapreciação ou os formulários que têm obrigatoriamente de preencher. Em outros casos, foram inicialmente atribuídas provas a professores que nem sequer lecionavam as disciplinas em causa.
“O processo de reapreciação é muito mais burocrático”, sublinha Cristina Mota, acrescentando que alguns docentes continuam impedidos de concluir o trabalho devido à falta de documentação.
Também o movimento MetaProf divulgou novos testemunhos de professores que relatam dificuldades no acesso à plataforma, erros que continuam sem resposta e documentos de alunos com necessidades específicas que não estavam associados às respetivas provas.
Um dos relatos refere mesmo o desaparecimento dos itens atribuídos para correção depois de uma interrupção no acesso ao sistema.
Os constrangimentos surgem depois dos problemas registados na primeira fase dos exames nacionais, a primeira realizada integralmente em formato digital. As falhas técnicas obrigaram ao adiamento da divulgação das classificações e levaram milhares de alunos a esperar vários dias pelos resultados.
Apesar disso, Fernando Alexandre voltou esta semana a defender o novo modelo de classificação eletrónica e garantiu que “nenhum aluno será prejudicado no acesso ao ensino superior”.
Segundo o ministro, 97% das respostas da segunda fase dos exames já estavam classificadas no início da semana e o processo decorre agora “com normalidade e tranquilidade”.
O governante revelou ainda que, entre as reapreciações já concluídas, cerca de 70% dos alunos conseguiram melhorar a classificação, enquanto 20% viram a nota descer e 10% mantiveram o resultado inicial.
As pautas da segunda fase dos exames e os resultados das reapreciações da primeira fase continuam, para já, previstos para serem divulgados esta sexta-feira. Contudo, os professores admitem que o calendário poderá voltar a ser posto à prova nas últimas horas do processo.














