Eleições internas do Chega ‘aquecem’ com confrontos em Lisboa, Porto, Braga e Santarém

Enquanto a liderança nacional de André Ventura permanece praticamente incontestada dentro do Chega, as eleições para as estruturas distritais do partido prometem ser das mais disputadas desde a sua fundação.

Revista de Imprensa

Enquanto a liderança nacional de André Ventura permanece praticamente incontestada dentro do Chega, as eleições para as estruturas distritais do partido prometem ser das mais disputadas desde a sua fundação. Com votações marcadas para 28 de junho e 5 de julho, multiplicam-se as candidaturas alternativas em vários distritos, envolvendo deputados, autarcas e dirigentes partidários. Apesar de a direção nacional procurar manter-se formalmente afastada das disputas, existe uma preferência informal pela continuidade das lideranças em funções, numa tentativa de preservar o trabalho desenvolvido nos últimos anos.

Segundo informações avançadas pelo jornal Público, a direção do partido não pretende declarar apoios oficiais a qualquer candidato, mas vê com bons olhos as recandidaturas dos atuais responsáveis distritais. Em Lisboa, onde Pedro Pessanha não volta a concorrer, a deputada Patrícia Almeida, atual vice-presidente da estrutura, surge como a candidata associada à continuidade e é apontada como favorita. No entanto, enfrenta a concorrência de António Pinto Pereira, antigo deputado do Chega e candidato à Câmara Municipal de Cascais numa candidatura independente da estrutura oficial do partido. Já no Porto, Rui Afonso, deputado e vereador em Gondomar, procura renovar o mandato à frente da distrital, enfrentando a candidatura de Luís Couraceiro, antigo vice-presidente da estrutura, que defende uma distrital mais focada no trabalho local e menos ligada a ambições parlamentares.

As disputas estendem-se a outros distritos importantes. Em Aveiro, Pedro Alves recandidata-se com um discurso centrado na continuidade, enquanto Manuel Almeida apresenta-se como alternativa, defendendo uma mudança de rumo. Em Braga, a liderança do deputado Filipe Melo é contestada por Carlos Barbosa, também deputado e presidente da mesa da distrital, que acusa a atual direção de falta de proximidade com os militantes e de ausência de dinâmica interna. A corrida inclui ainda Paulo Ralha, vereador em Vila Nova de Famalicão, que procura diferenciar-se dos restantes candidatos, acusando-os de representarem o mesmo modelo político interno. Em Beja, o deputado António Carneiro desafia o atual presidente distrital, Mário Cavaco.

As eleições ganham especial relevância em distritos marcados por conflitos internos recentes. Em Santarém, a disputa entre o deputado José Dotti e Manuela Estêvão, presidente da concelhia local, é uma das mais mediáticas. A candidata acusa o adversário de utilizar a liderança distrital como plataforma para ascensão política nacional, num conflito que já tinha vindo a público nos últimos meses através de trocas de acusações relacionadas com alegadas falhas de comunicação e um ambiente de tensão dentro das estruturas locais. A corrida conta ainda com José Luís Albuquerque e Sónia Pereira, que também procuram conquistar a liderança da distrital.

Em Setúbal, a atual liderança de Nuno Gabriel enfrenta a oposição de Nuno Valente, vereador do partido no Montijo e presidente da mesa da distrital. Apesar de garantir que a sua candidatura não é dirigida contra ninguém dentro do partido, a disputa surge poucos meses depois de seis membros da comissão política distrital terem apresentado a demissão devido a divergências com a direção. Na altura, Nuno Gabriel desvalorizou as críticas, atribuindo-as ao contexto das eleições internas.

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O processo eleitoral revela assim um contraste evidente entre a estabilidade da liderança nacional de André Ventura e a intensa competição nas estruturas regionais. Embora praticamente todos os candidatos reafirmem lealdade ao presidente do partido, as disputas em vários distritos demonstram que persistem divergências estratégicas e rivalidades locais num partido que tem sido frequentemente marcado por episódios de turbulência interna. As eleições das próximas semanas serão, por isso, um importante teste à capacidade do Chega de gerir a sua crescente dimensão organizativa sem comprometer a unidade política em torno da liderança nacional.

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