A análise de Vítor Ribeirinho, CEO / Senior Partner da KPMG Portugal
A tensão geopolítica no Médio Oriente volta a assumir um papel central no Barómetro do Executive Digest, condicionando diretamente a perceção das empresas sobre o contexto económico. A maioria antecipa pressão nos custos, sobretudo nos setores da energia e combustíveis (78%) e da logística e transportes internacionais (58%), refletindo um novo choque energético na Europa. Este é um aspeto, de resto, que também destacamos no mais recente estudo da KPMG, o “European Economic Outlook”, que convido todos a lerem no nosso site.
Este contexto externo vai tendo um impacto direto no crescimento económico europeu, para o qual se prevê, de acordo com o nosso relatório, um abrandamento generalizado, no qual Portugal é uma das exceções. Este comportamento positivo da nossa economia é corroborado pelos participantes do Barómetro que apontam para um crescimento de atividade face ao período homólogo para a maioria das empresas (72%) e as perspetivas para o fecho de 2026 mantêm-se positivas, com cerca de três quartos das organizações a anteciparem crescimento face a 2025 (75%).
Olhando para o futuro, o foco estratégico centra-se na expansão de mercado (53%), apoiada pela digitalização e inteligência artificial (19%) e pela eficiência operacional (17%), embora o impacto da IA permaneça limitado, com uma parte relevante das empresas a não identificar ainda efeitos concretos (22%). A mensagem deste Barómetro é clara: mesmo perante um cenário mais exigente, as empresas portuguesas continuam a investir no futuro.
Testemunho publicado na edição de Junho (nº. 243) da Executive Digest, no âmbito da XLVIII edição do seu Barómetro.














