A análise de Vasco Antunes Pereira, Presidente do conselho de administração e CEO, Grupo Lusíadas saúde
Os resultados deste 47.º Barómetro da Executive Digest revelam um tecido empresarial resiliente, embora assente num maior nível de exigência operacional e cada vez mais pressionado por um contexto externo incerto. Apesar de 56% das empresas reportarem um desempenho alinhado com as expectativas no arranque do ano, a percentagem ainda significativa de organizações abaixo do esperado (33%) confirma um ambiente económico exigente, onde a previsibilidade é cada vez mais limitada. As prioridades estratégicas reflectem esta realidade: a eficiência e a expansão afirmam-se como vectores críticos, acompanhados por um investimento contínuo na digitalização. Mais do que expandir, as empresas são hoje chamadas a crescer com maior disciplina, num contexto de menor margem de erro, determinante para a sua competitividade no curto e no médio prazo. No sector da saúde, estes desafios assumem uma natureza particularmente estrutural. A pressão sobre os custos, a necessidade de investimento contínuo e a escassez de recursos não são conjunturais e exigem uma resposta integrada. Neste contexto, a eficiência, a inovação e uma maior articulação entre o público e o privado continuam determinantes para garantir quer o acesso, quer a sustentabilidade do sistema. É igualmente evidente que as empresas esperam mais do enquadramento público. A simplificação administrativa e a redução da carga fiscal surgem como as principais prioridades, num momento em que o peso do Estado continua a ser percepcionado como um factor de constrangimento à actividade económica. O contexto geopolítico reforça esta pressão. A maioria dos inquiridos antecipa impactos moderados, sobretudo ao nível dos custos de energia e da logística, o que exige maior capacidade de adaptação e uma abordagem mais proactiva à gestão do risco.
Testemunho publicado na edição de Abril (nº. 241) da Executive Digest, no âmbito da XLVII edição do seu Barómetro.













