A análise de Rui Lopes Ferreira, CEO da Super Bock Group
“Num contexto que continua bastante volátil, marcado por diversos riscos externos, considero bastante positivo que mais de 50% dos inquiridos identifiquem o crescimento económico e a expansão de mercado como a principal prioridade estratégica para o segundo semestre de 2026. É algo que vem acompanhado, e bem no meu entender, por uma aposta na transformação digital, na melhoria da eficiência operacional e na retenção de talento. Portugal e as suas empresas precisam de crescer, mas de crescer “bem”, o que significa as empresas e organizações desenvolverem-se de forma inteligente, competitiva e sustentável, contribuindo, simultaneamente, para a economia real e melhoria das condições do País.
Os indicadores económicos reforçam a confiança neste rumo. Em 2025, o financiamento do BEI em Portugal atingiu um valor recorde de 3 mil milhões de euros, mais 43% face ao ano anterior, ao qual se juntam os vários programas de estímulo ao investimento, como o Programa Reforçar ou o PTRR. Já no primeiro trimestre de 2026, a economia portuguesa registou um crescimento homólogo de cerca de 2,3%, enquanto o investimento reforçou o seu contributo para o PIB (+1,9%). Por sua vez, também do mercado de trabalho chegam sinais positivos, com Portugal a alcançar uma taxa de emprego de 66,2% em abril deste ano, a mais elevada desde fevereiro de 1998.
Contudo, persistem desafios estruturais ligados à produtividade, demografia e burocracia. O país reúne condições para reforçar a sua competitividade, creio que o desafio está mais do lado da capacidade de execução. Diagnósticos existem e bem fundamentados, o que falta é capacidade de planear e executar de acordo com objetivos, que devendo ser consensuais na sociedade portuguesa, têm que ser explicados e comunicados de forma clara e eficiente.”
Testemunho publicado na edição de Junho (nº. 243) da Executive Digest, no âmbito da XLVIII edição do seu Barómetro.














