Criptoativos “representarão um risco para a estabilidade financeira” se não houver regulação, alerta BCE

À medida que as instituições financeiras de envolvem cada vez com os criptoativos, os riscos de disrupção aumentam, se não houver regras que ajudem a garantir a estabilidade nesse mercado em crescimento.

O Banco Central Europeu (BCE) emitiu esta semana um relatório no qual aponta que “é urgente” conceber uma estrutura regulatória para os criptoativos e colocá-los sob a supervisão de reguladores. É também importante garantir que as ameaças que esses ativos digitais representam para a estabilidade de instituições financeiras tradicionais “são mitigadas”, afirma o BCE, que destaca que “o risco sistémico aumenta de acordo com o nível de interconexão entre os criptoativos e o setor financeiro tradicional”.

O BCE explica que “os criptoativos não têm um valor económico intrínseco” e que o facto de serem frequentemente usados como “instrumentos de especulação”, de serem altamentos voláteis e de poderem ser utilizados para financiar atividades ilegais “fazem dos criptoativos instrumentos altamente arriscados”. O supervisor europeu diz que “os criptoativos são atualmente alvo de um intenso debate político”.

O BCE avança que cerca de 56% dos investidores institucionais europeus estão hoje expostos ao mercado dos criptoativos, face aos 45% de 2020, e que a tendência é serem cada vez mais. Reconhecendo que a volatilidade dos últimos meses observada nos mercados dos criptoativos não contagiou as instituições financeiras na Zona Euro, o BCE diz que, contudo, os riscos são cada vez maiores. Se se continuar a verificar o crescimento da tendência de integração entre os criptomercados e o setor financeiro tradicional, “então os criptoativos vão representar um risco para a estabilidade financeira”.

Citada pela ‘Bloomberg’, Verena Ross, Presidente da Autoridade Europeia de Valores Mobiliários e Mercados, diz que é “com grande impaciência” que espera que a União Europeia emita as linhas orientadoras que irão suportar a estrutura regulatória do mercado dos criptoativos.

“Com a inflação a aumentar, os investidores vão procurar investimentos que possam compensar a inflação e gerar maiores retornos, o que pode acarretar riscos ainda maiores”, alerta Ross.

O BCE diz que “é importante fechar o hiato entre a regulação e os dados no ecossistema dos criptoativos” para minimizar os riscos de instabilidade financeira.

De recordar que o regulador europeu está a desenvolver uma criptomoeda própria, o Euro Digital, atualmente em fase de estudo, e sobre a qual o BCE diz não representar qualquer ameaça ao setor bancário, pois servirá somente para pagamentos e não constituirá um instrumento de investimento. Sendo emitida por um banco central, o Euro Digital estaria isento de risco e garantiria a privacidades dos dados dos cidadãos, contrariamente às criptomoedas emitidas por privados.

Só depois de outubro de 2023, quando terminar a fase piloto do Euro Digital, que arrancou em julho de 2021, é que o BCE tomará uma decisão concreta quanto à sua emissão, distribuição e utilização.

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