Algumas empresas chinesas têm violado os direitos dos clientes através da utilização abusiva de dados pessoais e da “intimidação” no que toca a compras e promoções, denunciou esta quinta-feira uma associação de consumidores apoiada pelo governo.
A declaração da Associação de Consumidores da China (CCA) não especificou os nomes das empresas, no entanto, a denúncia surge na sequência do aumento do escrutínio dos gigantes da tecnologia decretado por Pequim, que inverte a abordagem outrora ‘laissez-faire’ na Internet.
“Os consumidores estão a ser pressionados por algoritmos de dados e estão a ser alvo de intimidação”, disse a CCA numa declaração citada pela agência Reuters.
Neste sentido, a associação chinesa alertou que as empresas devem deixar de utilizar sistemas para digitalizar os dados pessoais dos consumidores. Os algoritmos que verificam a utilização da Internet e outros dados dos utilizadores depois enviam anúncios e promoções direcionados, privando os clientes de escolha.
Alguns dos produtos e serviços promovidos por estes sistemas automatizados “violam a lei, a ordem pública e os bons costumes”, denunciou ainda a associação. Os “valores e conceitos morais dos consumidores podem até ser distorcidos por algoritmos e tornar-se ‘brinquedos’ nas mãos dos operadores de plataformas”, acrescentou.
Pequim emitiu, em dezembro, um conjunto de regras destinadas a impedir o comportamento monopolista por parte das empresas na Internet, marcando o primeiro passo regulamentar sério da China contra o setor.
A China também avisou os gigantes tecnológicos para se prepararem para um maior escrutínio, uma vez que aplicou multas e anunciou investigações sobre negócios envolvendo o Grupo Alibaba e a Tencent Holdings.
Os meios de comunicação estatais chineses têm-se tornado cada vez mais críticos sobre a violação dos direitos dos consumidores por parte das empresas tecnológicas.
Em setembro, uma empresa estatal de radiodifusão publicou os resultados de uma sondagem que mostrou que 75% dos inquiridos acreditavam ter sido tratados injustamente quando faziam compras online.














